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Weintraub: Odeio o termo "povos indígenas"; Quer, quer. Não quer, sai de ré

Allan Simon

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/05/2020 18h48

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse na reunião ministerial do dia 22 de abril que odeia o termo "povos indígenas". A fala foi revelada em vídeo divulgado hoje pelo STF após o ministro Celso de Mello, relator do inquérito que apura suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, levantar o sigilo de quase todo o material.

"Ele tá querendo transformar a gente numa colônia. Esse país não é... odeio o termo 'povos indígenas', odeio esse termo. Odeio. O 'povo cigano'. Só tem um povo nesse país. Quer, quer. Não quer, sai de ré", disse Weintraub.

Para o ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro, no Brasil existem "privilégios" dados a alguns "povos".

"É povo brasileiro, só tem um povo. Pode ser preto, pode ser branco, pode ser japonês, pode ser descendente de índio, mas tem que ser brasileiro, pô! Acabar com esse negócio de povos e privilégios. Só pode ter um povo, não pode ter ministro que acha que é melhor do que o povo. Do que o cidadão. Isso é um absurdo, a gente chegou até aqui", afirmou.

Weintraub ainda enalteceu Bolsonaro antes de citar novamente o termo "privilégio", lembrando que o governo "veio aqui pra acabar com tudo isso".

"O senhor levou uma facada na barriga. Fez mais do que eu, levou uma facada. Mas eu também tô levando bordoada e tô correndo risco. E fico escutando esse monte de gente defendendo privilégio, teta. Tendeu? É isso. Negócio. Empréstimos. A gente veio aqui pra acabar com tudo isso, não pra manter essa estrutura. E esse é o meu sentimento extremamente chateado que eu tô vendo essa oportunidade se perder", disse o ministro.

No mesmo vídeo, Weintraub defendeu a prisão dos ministros do Supremo, chamando-os de "vagabundos" e afirmou que Brasília é "um cancro" e que gostaria de explodir a capital federal.

Inquérito

O ministro Celso de Mello decidiu hoje derrubar o sigilo da reunião ministerial do dia 22 de abril. No despacho publicado no final desta tarde, o decano do STF determinou a divulgação da maior parte da reunião, exceto trechos que tratam de outros dois países e não estão relacionados ao inquérito que investiga se Bolsonaro efetivamente atuou politicamente na PF.

As declarações vêm à tona após o ex-ministro Sergio Moro acusar Jair Bolsonaro de tentar interferir várias vezes na atuação da Polícia Federal, pedindo informações sigilosas e por fim trocando o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo. A queda de Valeixo, há cerca de um mês, acabou culminando no pedido de demissão de Moro.

Os dois ex-funcionários do governo já prestaram depoimento à Polícia Federal sobre as supostas interferências de Bolsonaro.

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