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"Bolsonaro acha que eu persigo os filhos dele", diz Witzel após ação da PF

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ) - Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ) Imagem: Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

26/05/2020 20h07

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), atacou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após ser alvo da Operação Placebo. Witzel afirmou que é vítima de perseguição política, e que Bolsonaro acha que seus filhos é que são perseguidos pelo governador.

"O Bolsonaro acha que eu persigo os filhos dele. Conseguiu uma decisão com procuradores da República, junto com o PGR, que criaram uma narrativa que nitidamente é uma perseguição política", disse Witzel em entrevista à CNN Brasil.

Hoje, mais cedo, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, e no escritório de advocacia onde trabalha a mulher do governador.

Witzel afirmou que já organizava uma frente para pedir o impeachment de Bolsonaro, que o presidente "faz mal" à democracia, e que as investigações da PF estão sendo vazadas.

"Eu fico absolutamente triste porque a democracia está sendo violentada. Eu não vou admitir isso, vou até as últimas consequências, e na semana passada eu estava formando uma frente parlamentar em defesa da democracia para pedir o impeachment do presidente Bolsonaro, porque infelizmente ele está fazendo mais mal para a democracia do que bem, e tudo isso está sendo levado para uma guerra política, e o presidente Bolsonaro sabe, infelizmente hoje não comungamos o mesmo pensamento político. Investigações estão sendo feitas e vazadas porque o senador Flavio Bolsonaro, bolsonaristas, deputada bolsonarista estão dizendo que o 'covidão vem aí' para pegar os governadores", concluiu.

Mais cedo, também em entrevista à CNN Brasil, a advogada Maria Claudia Bucchianeri afirmou que a defesa do governador recebeu ontem a informação de que não havia procedimentos administrativos abertos contra ele.

"Foi uma grande surpresa a operação de hoje, especialmente porque a defesa do governador, há mais de 10 dias, vinha peticionando ao STJ. Pedíamos acesso aos autos respectivos. O governador, posso revelar, estava nervosíssimo, ansioso para prestar os esclarecimentos", disse a advogada. "O governador é o maior interessado em que isso seja elucidado o quanto antes. Ainda ontem, recebemos uma informação de que não existiria nenhum tipo de procedimento administrativo contra o governador sob a relatoria do ministro Benedito (Gonçalves, do STJ)."

Apesar da surpresa, Maria Claudia afirmou não acreditar que a operação tenha conseguido encontrar indícios de irregularidades envolvendo Witzel.

"Fomos surpreendidos com as medidas de hoje, que posso antecipar, não devem ter tido muito êxito em encontrar alguma coisa. Não há liame nenhum entre ele e qualquer tipo de irregularidade — se é que houve mesmo qualquer irregularidade nesses contratos de saúde, nesse momento tão difícil de ser ordenador de despesa", afirmou.

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