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Política

Bolsonaro parabeniza PF por operação; deputados cobram Zambelli

Do UOL, em São Paulo

26/05/2020 10h15

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) parabenizou a Polícia Federal ao ser questionado, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, sobre a operação Placebo. Na manhã de hoje, policiais federais cumprem mandados de busca e apreensão no Palácio das Laranjeiras, a residência oficial do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

"Parabéns à Polícia Federal, fiquei sabendo agora. Parabéns à Polícia Federal", disse o presidente, que pouco antes preferiu não verbalizar a sua opinião sobre a operação ao ouvir um outro apoiador dizer que a "coisa estava feia no Palácio das Laranjeiras".

O presidente fez apenas gestos apontando para máscara, enquanto apoiadores davam risada. Um deles chegou a gritar estrume, em referência à palavra usada por Bolsonaro para se referir a Witzel durante reunião ministerial.

Bolsonaro também foi questionado sobre a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que ontem disse, em entrevista à Rádio Gaúcha, que alguns governadores estavam sendo investigados pela Polícia Federal. "Pergunta para ela", disse o presidente.

A declaração de Zambelli gerou reação também entre deputados federais. Diversos parlamentares da oposição, como Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Alessandro Molon (PSB-RJ) e Carlos Zarattini (PT-SP), cobraram explicações sobre a situação, indicando uma possível informação privilegiada sobre ações da Polícia Federal.

Zambelli, que é aliada de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), comentava a saída de Sergio Moro do ministério da Justiça e Segurança Pública ao dar a declaração. O ex-juiz acusa o presidente de interferir na Polícia Federal, o que ele nega. O caso está sob a relatoria do ministro Celso de Mello no STF (Supremo Tribunal Federal).

"A gente já teve algumas operações da Polícia Federal que estavam ali, na agulha, para sair, mas não saíam. E a gente deve ter nos próximos meses o que gente vai chamar talvez de covidão, ou de...Não sei qual vai ser o nome que eles vão dar, mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal", declarou a parlamentar ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha.

Diante da repercussão de sua declaração hoje, Zambelli se manifestou em resposta à deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), que também questionou a parlamentar. Ela negou ter informações privilegiadas.

Também no Twitter, o deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), também ironizou a situação, fazendo piada com a palavra "placebo".

Operação Placebo

A operação deflagrada hoje investiga indícios de desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública em decorrência do coronavírus.

Além da residência oficial, também são cumpridas ordens judiciais no escritório de advocacia onde atua a esposa de Witzel e no bairro do Grajaú, onde o governador do Rio tem residência pessoal.

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) autorizou 12 mandados de busca e apreensão. Desses dez são cumpridos no Rio de Janeiro e dois em São Paulo.

Segundo a PF, investigações apontam para a existência de um esquema de corrupção envolvendo uma organização social contratada para a instalação de hospitais de campanha e servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do estado do Rio de Janeiro.

As investigações têm como base provas obtidas pela Polícia Civil, Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal. Esses elementos foram compartilhados com a PGR (Procuradoria Geral da República). Procurado, o governo do Rio de Janeiro ainda não se manifestou sobre os mandados de busca e apreensão.

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