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"Improvisação" leva a casos como o investigado no Rio, diz Márcio França

Do UOL*, em São Paulo

27/05/2020 18h19Atualizada em 27/05/2020 22h57

A investigação em curso no Rio de Janeiro tem "certa lógica" na história de São Paulo, afirmou o ex-governador de São Paulo Márcio França em conversa com o colunista do UOL Leonardo Sakamoto durante o UOL Entrevista de hoje.

"A Organização Social (OS) que está sendo investigada no Rio também presta serviços à prefeitura de São Paulo em vários lugares. Não que necessariamente tenha alguma coisa errada", disse.

A comparação foi usada por França para exemplificar como situações extremas podem fazer gestores pagar mais caro do que o produto vale.

"O sujeito é prefeito ou governador, vê a situação apertando, gente morrendo, chama lá e fala: 'se vira! Contrata, monta hospital, faz coisa de campanha, passa para a organização social'. A organização social não é em formato público, o sujeito sai comprando. No desespero, a pessoa sai comprando, e depois percebem que compraram muito gato por lebre", afirmou.

Não só no caso de respiradores, afirma, mas no de testes comprados que, sem fiscalização inicial, mostram ter eficácia inferior à pensada. "Tudo isso tem a ver com a história da improvisação, do desespero", disse. "Essa é a visão otimista. Na pessimista alguém ganhou com isso. No desespero se pode fazer algo errado também", completou.

"Eles no desespero, na inexperiência, na improvisação, determinaram várias compras sem muito controle e não tiveram cautela de exigir o lastro. Na China tem vários formatos, mas um é certo: tudo lá, de uma forma ou de outra, é governamental. Se você falar com o embaixador, ele sabe dizer se aquilo vai vir ou não vai vir. Quando apareceu alguém oferecendo coisa que não era certa, era só ter checado antes", ponderou.

"Ainda mais no caso do governador Doria, quando São Paulo tinha acabado de abrir escritórios no exterior. Não deu para checar antecipadamente?", questionou.

Segundo o ex-governador, há relatos de médicos que dão conta de que muitos respiradores comprados pelo governo do estado não funcionavam por oferecer quantidade de pressão diferente da necessária para o tratamento dos pacientes.

"Ele bombeia, mas sem controle eletrônico da pressão necessária. E o que aconteceu? Começou a morrer gente. Isso tudo vai ter consequência lá na frente, tudo vai ter consequência."

Se um respirador com função diferente da esperada foi comprado, afirmou, sem especificar que isso tenha ocorrido em São Paulo, "você não sabe se a pessoa morreu da doença ou do agravamento da situação".

* Participaram desta produção Carolina Marins, Diego Henrique de Carvalho e Gabriela Sá Pessoa

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