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Bolsonaro vê em Fábio Faria ponte com Congresso e mídia tradicional

Fábio Faria junto à mulher Patrícia Abravanel e dois de seus três filhos - Reprodução/Instagram
Fábio Faria junto à mulher Patrícia Abravanel e dois de seus três filhos Imagem: Reprodução/Instagram

Guilherme Mazieiro e Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

11/06/2020 13h16

Escolhido para comandar o Ministério das Comunicações, recriado ontem, Fábio Faria é deputado federal do PSD pelo Rio Grande do Norte, integrante do centrão e genro do empresário e dono do SBT, Silvio Santos. Ex-apoiador de governos petistas, como Lula e Dilma Rousseff, passou a criticar o partido e a defender o governo Jair Bolsonaro (sem partido).

O convite a Faria faz parte da estratégia de Bolsonaro de melhorar a relação com o Congresso e tentar dar nova cara para comunicação do governo, vinculada à ala ideológica.

Faria tem 42 anos e nasceu em Natal (RN). Ele é casado com Patrícia Abravanel, uma das filhas de Silvio, desde 2017, com quem têm três filhos: Pedro, 5, Jane, 2, e Senor, 1. Antes de Patrícia, namorou Adriane Galisteu e Sabrina Sato.

O deputado está no quarto mandato na Câmara e, para assumir o ministério, precisará se licenciar da Casa, assim como fizeram outros ministros, como Onyx Lorenzoni (Cidadania) e Tereza Cristina (Agricultura).

Amigo de Maia e aposta na articulação na Câmara

Ele é conhecido por ter bom trânsito no Parlamento e atuará como uma peça importante no xadrez político do governo Bolsonaro neste momento. Por ser integrante do PSD, partido que compõe o centrão, espera-se que a ascensão de Faria ao ministério facilite a formação de uma base aliada no Congresso e seja mais uma ponte com parte dos parlamentares nem governistas nem oposicionistas.

O PSD sempre buscou estar ligado à área de Comunicações, com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab tendo sido ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações entre 2016 e 2018, no governo de Michel Temer (MDB). Agora, a indicação contempla diretamente o partido.

Recentemente, o PSD também conseguiu emplacar uma nomeação para a Funasa (Fundação Nacional de Saúde). Em entrevista ao UOL, Kassab negou a troca de cargo por apoio.

Ao mesmo tempo, a escolha de Faria tende a agradar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de quem é amigo. Maia mantém com Bolsonaro somente um relacionamento institucional necessário e é o responsável por acolher ou não a tramitação de pedidos de impeachment contra o presidente da República protocolados na Câmara. A expectativa é de que a nomeação de Faria possa aliviar um pouco os ânimos e ser interpretada como um gesto de boa vontade.

Fábio Faria também procura manter boa articulação com o Palácio do Planalto, não somente sob o comando de Bolsonaro. Por vezes junto ao seu pai, o ex-governador do Rio Grande do Norte Robinson Faria, Fábio visitava os então presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer na sede do Executivo em Brasília.

Desde que anunciado ministro, internautas nas redes sociais começaram a apontar a proximidade de Fábio Faria com petistas. Ele então deletou posts do Twitter, como um de 10 de agosto de 2010 em que exaltava sua participação no conselho político de Lula como líder do PMN (Partido da Mobilização Nacional), além de "manter coerência" ao votar no ex-presidente desde 2002.

Com Bolsonaro na Presidência, Fábio Faria aproximou-o do sogro Silvio Santos. O presidente já participou de programas do SBT e foi à casa do empresário em São Paulo.

Apesar de não ter formação ou experiência na área de comunicação, a expectativa de Bolsonaro é que Faria consiga tocar o ministério por meio da articulação com o Congresso e do conhecimento que adquiriu por conviver com a família de Silvio Santos.

A avaliação de integrantes do Planalto é de que a comunicação do governo deve melhorar com mais investidas na mídia tradicional, não apenas nas redes sociais, foco da base bolsonarista.

Com o suporte do know-how da família Abravanel e, em princípio, sem se levar por extremos, a expectativa é de que Faria também estabeleça um melhor relacionamento com outros grupos do setor midiático.

Investigado por suposto esquema de corrupção com o pai

Robinson e Fábio foram investigados em um inquérito autorizado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin a pedido do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base em delações da Odebrecht.

Ambos eram suspeitos de receber doações eleitorais por meio de caixa dois à época em que Robinson era governador do RN e negaram as acusações. O inquérito foi depois arquivado a pedido da PGR. Os autos do processo referente a Robinson foram remetidos ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).

No STF, eles ainda foram investigados após serem citados em delação do grupo J&F. O Tribunal acolheu pedido de arquivamento da PGR no caso de Fábio e remeteu os autos relacionados a Robinson ao STJ.

Neste ano, Robinson foi denunciado pelo Ministério Público do RN por peculato ao ter supostamente desviado mais de R$ 1 milhão por meio de servidores fantasmas na Assembleia Legislativa do estado.

Fundo Eleitoral e patrimônio

Na polêmica sobre o valor do Fundo Eleitoral, o deputado se manifestou contra o aumento para R$ 3,8 bilhões. Em vídeo no Twitter, disse que "de jeito nenhum". Ele votou a favor do fundo de R$ 2 bilhões, seguindo a orientação do partido.

Na eleição de 2018, Faria recebeu um cheque de R$ 1 milhão do Fundo Especial do PSD. O valor correspondeu a 74,48% do valor de sua campanha, R$ 1,3 milhão.

Na prestação de contas que à Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 6,4 milhões. O valor está distribuído em ações, um apartamento, terreno e nos carros Mercedez Benz GL-350 e Azera GLS 3.0.

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