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Advogado diz que Queiroz foi ameaçado e pedirá transferência para batalhão

Do UOL, em São Paulo

18/06/2020 15h03Atualizada em 18/06/2020 16h02

O advogado de Fabrício Queiroz, Paulo Emílio Catta Preta, afirmou que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro relatou ter sido ameaçado e que pedirá a transferência de seu cliente do presídio de Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, para um Batalhão de Polícia.

Em conversa com jornalistas no lado de fora do presídio, o advogado também disse que a prisão de Queiroz é "injustificada" e que vai entrar com pedido de habeas corpus para a liberação do ex-assessor.

"Ele disse ter recebido ameaças", afirmou Catta Preta. Questionado sobre quem estaria ameaçando Queiroz, o advogado disse não ter detalhes. "Ele não me especificou. Ele falou que se sentia ameaçado desde a época da revelação do caso. Vez ou outra ele se sentia ameaçado, via carros em locais esperando ou observando ele. É um sentimento, eu não sei também em que medida isso aconteceu."

Catta Preta disse que a transferência de Queiroz para um Batalhão da Polícia seria para manter a segurança e integridade de seu cliente.

"A lei prevê essa prerrogativa por ele ser policial reformado. Prender em um presídio que não seja batalhão, qual o critério para isso? Ele não pode estar no mesmo estabelecimento com pessoas que ele possa ter, eventualmente, prendido", declarou.

'Prisão injustificada'

O advogado de Queiroz afirmou ainda que a prisão de seu cliente foi "injustificada". Isso porque, segundo ele, o ex-assessor está doente, não era foragido e se dispôs a colaborar com as investigações.

"Ele sempre esteve à disposição da Justiça, ele prestou esclarecimentos por escrito ao MP. Não era procurado, não era foragido. Qualquer pedido que fosse feito a ele, ele atenderia. Quando ele não pôde comparecer, justificou essas ausências", disse.

Questionado se Queiroz poderia destruir provas, o advogado afirmou que essa possibilidade também não justifica o pedido de prisão.

"Poder destruir provas, como uma possibilidade inexistente, distante, abstrata, não justifica prisão nenhuma. Todos nós aqui podemos destruir provas e nenhum de nós pode ser preso por isso. Tem que, de fato, existir uma conduta concreta que revele esse risco como um risco real", declarou.

A prisão de Queiroz

Queiroz foi localizado e preso em um imóvel que pertence a Frederick Wassef, que ontem esteve na posse do novo ministro das Comunicações, Fabio Faria (PSD), cerimônia que também contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A prisão de Queiroz é preventiva, ou seja, sem prazo para acabar. No local, policiais também apreenderam objetos como celulares, cartão de crédito e notas de reais.

A mulher de Fabrício Queiroz também teve prisão autorizada, mas não foi localizada até o momento.

Queiroz estava em Atibaia há um ano, diz a polícia

O delegado da Polícia Civil de São Paulo Osvaldo Nico Gonçalves, que participou da operação, disse que o caseiro do imóvel em Atibaia afirmou que Queiroz estava no local há cerca de um ano. Porém, a informação foi rebatida pelo próprio caseiro, que, em entrevista à CNN Brasil, negou que o ex-assessor estivesse morando ali há muito tempo.

"Tem pouco dias que está aí, quatro dias que veio ver um negócio de saúde. O rapaz aqui estava em tratamento de saúde, estava ficando aqui para se tratar de saúde, estava com câncer, essas coisas, câncer de próstata", disse o caseiro.

De acordo com o delegado, Queiroz estava sozinho na casa quando os policiais chegaram.

"A reação dele [Queiroz] foi tranquila, não esboçou reação. Só falou que estava um pouco doente", declarou o delegado.

A operação, batizada de Anjo, cumpre ainda outras medidas autorizadas pela Justiça relacionadas ao inquérito que investiga suposto esquema de "rachadinha", em que servidores da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) devolveriam parte de seus salários ao então deputado Flávio Bolsonaro, que exerceu mandato de 2003 a 2019.

Quem é Fabrício Queiroz

Queiroz já foi policial militar e é amigo do presidente Bolsonaro desde 1984. Reformado na PM, ele trabalhou como motorista e assessor de Flávio, então deputado estadual pelo Rio.

Queiroz passou a ser investigado em 2018 após um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicar "movimentação financeira atípica" em sua conta bancária, no valor de R$ 1,2 milhão, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Ele foi demitido por Flávio pouco antes de o escândalo vir à tona.

O último salário de Queiroz na Alerj foi de R$ 8.517, e ele teria recebido transferências em sua conta de sete servidores que passaram pelo gabinete de Flávio. As movimentações atípicas levaram à abertura de uma investigação pelo MP (Ministério Público) do Rio.

Uma das transações envolve um cheque de R$ 24 mil depositado na conta da hoje primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente, na época, se limitou a dizer que o dinheiro era para ele, e não para a primeira-dama, e que se tratava da devolução de um empréstimo de R$ 40 mil que fizera a Queiroz. Alegou não ter documentos para provar o suposto favor.

Em entrevista ao SBT em 2019, Queiroz negou ser um "laranja" de Flávio. Segundo ele, parte da movimentação atípica de dinheiro vinha de negócios com a compra e venda de automóveis.

"Sou um cara de negócios, eu faço dinheiro... Compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro. Sempre fui assim", afirmou na ocasião.

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