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Política

De Atibaia a Bangu: o que se sabe da operação que prendeu Fabrício Queiroz

Do UOL, no Rio e em Curitiba

18/06/2020 21h14

Foi preso na manhã de hoje Fabrício Queiroz, policial reformado e ex-assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) e amigo de Jair Bolsonaro (sem partido). A prisão ocorreu em uma casa em Atibaia (SP) pertencente a Frederick Wassef, advogado de Flávio e do presidente. Queiroz é apontado como operador de suposto esquema de "rachadinha" em que funcionários de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) devolviam parte de seus salários.

A decisão do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, diz que o papel de Queiroz no esquema não se limitava a arrecadar os valores. Ele também transferia o dinheiro para Flávio a partir de depósitos fracionados e pagava despesas pessoais dele. No entanto, a decisão que mandou prender Queiroz e a mulher dele, Márcia Oliveira de Aguiar, —até a noite de quinta-feira (18) foragida— concordou com argumento do Ministério Público do RJ de que ambos poderiam atrapalhar as investigações.

Mensagens atribuídas à mulher de Queiroz apontam que o ex-assessor de Flávio dava ordens para constranger testemunhas ou investigados que poderiam comprometê-lo, informou O Globo.

Segundo a GloboNews, o despacho de Itabaiana narra que Queiroz depositou R$ 25 mil na conta da mulher de Flávio, Fernanda Antunes Bolsonaro, e que a esposa de Queiroz pagou despesas médicas do marido com R$ 174 mil de origem desconhecida. No pedido de prisão, o MP-RJ diz que Queiroz pagou em dinheiro vivo uma mensalidade das filhas de Flávio, segundo a Folha de S.Paulo. Para promotores, os recursos usados para o pagamento seriam oriundos de "rachadinha".

Investigadores também suspeitam que os recursos foram usados na compra de imóveis e em depósitos realizados na conta-corrente de uma loja de chocolates de Flávio.

O senador, que sempre negou irregularidades, disse hoje, no Twitter, que encara a prisão com "tranquilidade" e que "a verdade prevalecerá". "Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!", escreveu.

De Atibaia a Bangu

A Operação Anjo, ação conjunta do MP-RJ, MP-SP e Polícia Civil de São Paulo, encontrou Fabrício Queiroz em Atibaia, interior de São Paulo, às 6h num imóvel que pertence ao advogado Frederick Wassef, que defende a família Bolsonaro. Ontem, Wassef esteve na posse novo ministro das Comunicações, Fabio Faria (PSD), que contou com a presença do presidente.

A prisão de Queiroz é preventiva, ou seja, não tem prazo determinado. Transferido para o Rio, o ex-assessor parlamentar foi levado à Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste da capital fluminense. Durante 14 dias, ele ficará em isolamento social em razão da epidemia do coronavírus.

Na prisão, Queiroz recebeu a visita de seu novo advogado, Paulo Emílio Catta Preta, que disse ter assumido hoje sua defesa. Catta Preta falou com jornalistas do lado de fora do presídio. Afirmou que a prisão de seu cliente é injustificada e que Queiroz "disse ter recebido ameaças".

O advogado Frederick Wassef ainda não se manifestou.

Outros alvos

Além das prisões de Queiroz e Márcia, a Justiça do RJ também determinou o cumprimento de medidas cautelares contra outras quatro pessoas:

  • Alessandra Esteves Marins: ex-assessora de Flávio Bolsonaro na Alerj e atual assessora dele no Senado. O gabinete de Flávio não se pronunciou sobre o caso;
  • Luiza Paes Souza: foi assessora de Flávio Bolsonaro entre 2011 e 2012. O UOL não conseguiu contato com sua defesa;
  • Matheus Azeredo Coutinho: funcionário da Alerj desde setembro de 2018. Trabalha na área administrativa. O UOL não conseguiu contato com ele;
  • Luis Gustavo Botto Maia: advogado da campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado. Botto Maia não respondeu aos questionamentos do UOL.

Operação não mira Flávio

A Operação Anjo não incluiu como um de seus alvos o senador Flávio Bolsonaro. Ele entretanto é investigado pelo MP-RJ.

Em dezembro de 2019, uma operação do MP-RJ cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Flávio. O MP-RJ informou à época que há indícios que ele tenha lavado até R$ 2,3 milhões com transações imobiliárias. Para promotores, os recursos usados nessas transações viriam das rachadinhas.

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