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Queiroz evita elevador ao chegar em prédio onde cumprirá prisão domiciliar

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

11/07/2020 10h05Atualizada em 11/07/2020 14h09

Um morador que presenciou o momento da chegada de Fabrício Queiroz, ontem, ao prédio onde ele cumprirá prisão domiciliar em Taquara, zona oeste do Rio, disse que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) evitou o elevador social e usou as escadas para chegar ao apartamento, no 5º andar, onde se lê no tapete: "Não trouxe cerveja?".

Foram 25 minutos entre a saída de Queiroz do Complexo de Gericinó, em Bangu, e a chegada ao prédio, às 22h14.

Com uma tornozeleira eletrônica, o policial militar deixou ontem a cela de 6 m² no presídio de Bangu, onde permaneceu por três semanas, para ocupar um imóvel com 83 m² distribuídos em três quartos, uma suíte e varanda gourmet.

Queiroz não falou com a imprensa ao deixar o presídio.

Porta do apartamento de Queiroz tem tapete com mensagem "Não trouxe cerveja?" - Reprodução - Reprodução
Porta do apartamento de Queiroz tem tapete com mensagem "Não trouxe cerveja?"
Imagem: Reprodução

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) concedeu o benefício na quinta-feira (9) por causa do estado de saúde de Queiroz, que enfrentou um câncer.

Mesmo foragida e com prisão preventiva decretada pela Justiça, Márcia Oliveira de Aguiar, esposa dele, também foi beneficiada pela decisão.

Segundo o STJ, a presença dela é recomendável para os cuidados com o ex-assessor. Ela se apresentou ontem à noite e já está em casa com o marido, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

O casal teve prisão preventiva decretada por suspeita de envolvimento em um suposto esquema de rachadinha, quando servidores devolvem parte dos seus salários. Eles respondem pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução da justiça.

Segundo investigação do MP-RJ (Ministério Público do Rio), o caso ocorreu no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), entre abril de 2007 e dezembro de 2018.

Nesse período, Queiroz teria recebido mais de R$ 2 milhões em transferências bancárias. Ainda de acordo com a investigação, o caso envolveu ao menos 11 ex-assessores com grau de parentesco ou amizade com o policial militar aposentado. Todos os suspeitos negam as irregularidades.