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TJ-RJ escolhe os 5 desembargadores que julgarão o impeachment de Witzel

26.mai.2020 - O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ), se pronuncia após buscas e apreensões da PF no Palácio das Laranjeiras - Wilton Junior/Estadão Conteúdo
26.mai.2020 - O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ), se pronuncia após buscas e apreensões da PF no Palácio das Laranjeiras Imagem: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

28/09/2020 12h56Atualizada em 28/09/2020 14h58

O TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) sorteou, na manhã de hoje, os nomes dos cinco desembargadores que vão compor o Tribunal Misto responsável por julgar o impeachment do governador afastado Wilson Witzel (PSC). Os escolhidos foram os desembargadores Teresa Castro Neves, José Carlos Maldonado de Carvalho, Maria da Glória Bandeira de Mello, Fernando Foch e Inês da Trindade Chaves de Melo.

Cinco deputados —que serão escolhidos amanhã pela Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro)— vão completar o Tribunal Misto. Caso a maioria simples dos dez membros aceite a denúncia aprovada na última quarta-feira (23) contra ele, Witzel será afastado por 180 dias —dessa forma, ele ficaria "duplamente afastado" do cargo, já que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) o distanciou do cargo no mês passado por seis meses.

Caso seja afastado, Witzel terá esse período para apresentar a sua defesa ao Tribunal Misto. Na votação final, após a fase de recursos e argumentações jurídicas, são necessários dois terços dos votos do Tribunal Misto —sete votos— para cassar o mandato do governador afastado.

Como Witzel aposta que os cinco parlamentares serão favoráveis à sua saída do cargo, ele precisará converter os votos de quatro desembargadores.

Defesa de Witzel repercutiu mal entre deputados

Em uma série de postagens em sua conta no Twitter na última quinta-feira (24), dia seguinte à votação da Alerj, Witzel afirmou que enfrentará o processo de impeachment de "cabeça erguida" e que provará sua inocência. Ele afirmou que a Alerj errou sob influência das redes sociais.

"O estrago na minha imagem política foi feito. E, infelizmente, a Alerj, pressionada pelas redes sociais, está cometendo um grande erro, cuja História há de demonstrar", disse.

Em tom inflamado, Witzel desafiou os deputados em seu discurso de defesa na Alerj dizendo não ser o único responsável caso seja comprovado que organizações criminosas operaram esquemas de corrupção em seu governo. Para ele, os deputados foram "omissos".

"Se as máfias continuaram atuando no estado do Rio de Janeiro, não é só a minha omissão que deve ser considerada, mas de todos nós. Por aí dizem: 'Governador, renuncie'. Então vamos fazer o seguinte: renunciamos todos e fazemos eleição para deputado e para governador", disse Witzel.

As declarações não caíram bem entre os parlamentares. Para os deputados, Witzel segue a tônica de ataque e desqualificação à Comissão de Impeachment e às investigações conduzidas pela Casa.

"Não chega a ser novidade esse desdém aos deputados. Witzel não enxerga onde errou nesse tempo de mandato e continua com a mesma postura. É lamentável. É assim que ele pensa que mudará o voto de alguém?", questionou um parlamentar.

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