No Senado, Pazuello promete vacinar 100% neste ano e é chamado de genocida
Sob pressão de senadores que tentam a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, prometeu vacinar toda "população vacinável" neste ano. A fala aconteceu em sessão de que o ministro participou para dar explicações sobre a vacinação aos senadores.
"Nós vamos vacinar o país em 2021, 50% até junho e 50% até dezembro da população vacinável. Esse é nosso desafio e é o que estamos buscando e vamos fazer", disse Pazuello.
A declaração ocorre no mesmo dia em que a prefeitura do Rio de Janeiro divulgou ter doses até o sábado, enquanto Salvador mudou o cronograma para evitar a interrupção da campanha por falta de imunizantes. Na terça-feira, Niterói e São Gonçalo, ambas no Rio de Janeiro, paralisaram a vacinação.
Pazuello e o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), foram criticados por senadores sobre a condução da crise sanitária e chamados de genocidas.
"Senhor ministro e presidente da República, as digitais de vocês estão nessas mortes e tenho fé em Deus que tanto o senhor quanto o presidente da República irão responder por genocídio. Seja aqui no Brasil, seja no tribunal penal internacional", disse o senador Fabiano Contarato (Rede-ES).
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) disse que em dezembro alertou o ministro do aumento de casos previstos no estado do Amazonas e dificuldades para conter a pandemia.
Atualmente, o país tem 6 milhões de doses disponíveis para vacinação de grupos de risco. As vacinas usadas são aplicadas em caráter emergencial, específicas para grupos de risco como idosos e profissionais da saúde. A população brasileira é de cerca de 211,8 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia) de 2020.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que a presença de Pazuello na sessão pode ser decisiva para uma abertura de CPI sobre a atuação do governo federal na pandemia da covid-19.
O pedido de CPI é encabeçado pelo senador da oposição Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Ele apresentou um pedido para investigar Pazuello. O protocolo tem apoio de 31 senadores, quatro a mais do que o mínimo necessário. A decisão de instalar ou não a CPI cabe a Pacheco.
Vacinação
A versão mais recente do plano nacional de imunização, de 29 de janeiro, não aponta um prazo para a vacinação da população.
A primeira edição, lançada em 16 de dezembro, afirmava que grupos prioritários seriam imunizados até metade do ano. O resto da população seria vacinada nos 12 meses seguintes, ou seja, até o meio de 2022.
O Brasil soma 234.945 óbitos causados pela covid-19 desde março de 2020 e 9,6 milhões de infectados. Os dados foram divulgados ontem pelo consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte.
*Com Estadão Conteúdo
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