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Mourão sobre passaporte da vacina: 'Vai ter falsificação, venda no camelô'

Vice-presidente, Hamilton Mourão, não acredita no sucesso do "passaporte da imunidade" no Brasil - Isac Nóbrega/PR
Vice-presidente, Hamilton Mourão, não acredita no sucesso do "passaporte da imunidade" no Brasil Imagem: Isac Nóbrega/PR

Colaboração para o UOL

17/06/2021 08h31Atualizada em 17/06/2021 11h47

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse acreditar que o "passaporte da vacina" para identificar quem estiver imunizado contra a covid-19 não vai funcionar. A proposta avançou no Senado na semana passada e será analisada pela Câmara dos Deputados, mas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já declarou que vai vetar o projeto.

"Eu acho que não vai dar certo. Cada um terá de andar com um cartãozinho na carteira dizendo que foi vacinado. O cara na entrada do restaurante vai me cobrar isso? E no parque? Esse troço não vai funcionar. Isso aqui é Brasil, pelo amor de Deus! Vai ter falsificação do passaporte, venda no camelô. Você vai à Central do Brasil, aí no Rio, e vai comprar o passaporte para você", disse Mourão, em entrevista a Malu Gaspar, no jornal O Globo.

O documento foi adotado por países da União Europeia e deve começar a valer no dia 1º de julho. Ele é uma forma de garantir que as pessoas foram imunizadas contra o coronavírus e, por isso, podem participar de eventos maiores e até viajar internacionalmente.

"No deslocamento dentro do país, é uma discussão inócua", acrescentou Mourão sobre o tema. O vice-presidente, no entanto, acredita que o passaporte será necessário em casos de viagens para outros países, citando como exemplo a apresentação de cartão de imunização da febre amarela.

Entre outros assuntos que tangem o governo federal, Mourão comentou ainda sua ausência em reuniões e disse não entender o motivo pelo qual o presidente o exclui delas.

"Eu lamento porque deixo de tomar conhecimento de assuntos que o governo está debatendo. Lembrando que eu, eventualmente, posso substituí-lo e ter de decidir sobre algum assunto desses, que eu não sei nada", falou.

Eu já deixei muito claro ao presidente que ele tem a minha lealdade. Eu jamais vou maquinar contra ele, como já aconteceu no passado recente no nosso país. Ele sabe disso muito bem. Por outro lado, ele sabe que a minha visão de mundo em muitos assuntos é totalmente distinta da dele, assim como o meu modo de agir
Hamilton Mourão

Segundo Mourão, Bolsonaro não chegou a lhe dizer diretamente que os dois não repetirão a chapa nas eleições do próximo ano. Apesar disso, o vice acredita que o afastamento do presidente e as declarações dele indicam que essa pode ser uma possibilidade.

"Ele também pode necessitar de um outro político ou partido em termos de composição político-partidária, um troço perfeitamente normal", completou. Mourão também afirmou não descartar uma eventual mudança de partido e disse ter sido procurado pelo PTB.

Ele também disse acreditar que o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, irá para a reserva quando a CPI da Covid terminar. No início do mês, o Comandante do Exército decidiu não aplicar nenhuma punição a Pazuello, por participar de um ato político com o presidente.

Acredito que no momento em que terminar a CPI (Pazuello irá para a reserva). Ainda existe a possibilidade dele voltar a depor. Acredito que essa seja a preocupação dele. Em mais um ou dois meses, talvez ele vá para a reserva. Pazuello perdeu o lugar dele dentro do Exército. Não há mais função para ele
Hamilton Mourão

Outro ponto de tensão no governo é a atual situação de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente que está sob investigação. Perguntado se Salles compareceria a uma reunião sobre desmatamento, Mourão falou que o encontro era para "quem realmente mete a mão na massa".

"Acho que o ministro está se preparando para a defesa dele em relação aos problemas que está enfrentando. Então, ele não tem comparecido às últimas reuniões", afirmou o vice-presidente.

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