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Bolsonaro defende voto auditável, critica STF e, sem provas, fala em fraude

Jair Bolsonaro conversa com apoiadores - Reprodução/Foco do Brasil
Jair Bolsonaro conversa com apoiadores Imagem: Reprodução/Foco do Brasil

Do UOL, em São Paulo

01/07/2021 09h47Atualizada em 01/07/2021 11h43

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a falar em fraude no sistema eleitoral brasileiro, sem apresentar provas ou indícios, e afirmou que há uma articulação de três ministros no STF (Supremos Tribunal Federal) para que a proposta de voto impresso auditável, se aprovada pelo Congresso, não seja aplicada nas eleições de 2022.

A declaração foi dada a apoiadores na saída do Palácio do Alvorada, na manhã de hoje. Bolsonaro não citou os nomes dos ministros que estariam fazendo essa articulação, e insinuou, novamente sem provas ou indícios, que uma eleição sem voto auditável favoreceria o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).

Queremos eleições limpas no ano que vem, porque tiraram o Lula da cadeia, tornaram ele elegível para ele ser presidente na fraude, e isso não vai acontecer.
Jair Bolsonaro, em conversa com apoiadores

Bolsonaro afirmou que, caso o Supremo, consiga barrar a proposta do voto auditável, os ministros da Corte terão de "inventar" uma maneira de haver "eleições confiáveis", com contagem pública de votos.

"Se não tiver [voto auditável], vão ter problemas no ano que vem. Estou me antecipando a problemas no ano quem vem para ter certeza de que em quem eu votar vai ser eleito. Do jeito que está aí, a fraude está escancarada", declarou.

O presidente disse ainda que a articulação dos ministros do STF seria uma tentativa de evitar judicialização das eleições no ano que vem, mas que, se a proposta for aprovada pelo Congresso, terá de valer para 2022.

"Estou adiantando aqui porque a manifestação da democracia é a transparência. Não adianta vir com 'argumentozinho' de que é muito caro, porque dinheiro tem, tanto que arranjaram dinheiro para as eleições para comprar impressoras", afirmou.

Barroso é contrário a voto impresso

Um dos ministros do STF que já se manifestaram publicamente contra a proposta do voto impresso auditável é Luis Roberto Barroso, que também preside o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ontem, em entrevista ao canal GloboNews, Barroso voltou a defender a urna eletrônica e afirmou que o voto impresso é uma tentativa de pessoas de má-fé criarem confusão e darem um "golpe".

"Se tem os de boa fé que defendem [o voto impresso]; os que desconhecem o sistema; os que dizem que não precisa, mas não custa nada; e tem os de má-fé que querem criar confusão mesmo para poderem tentar melar o jogo e dar golpe", disse o ministro.

Não há prova de fraude nas urnas eletrônicas

Bolsonaro tem feito a defesa da adoção do voto eletrônico com impressão de cédulas, apesar de nunca ter havido qualquer tipo de fraude comprovada nas urnas eletrônicas em mais de 20 anos de uso no país.

Desde a adoção das urnas eletrônicas no Brasil, em 1996, nunca houve nenhuma comprovação de fraude nas eleições. Essa constatação foi feita não apenas por auditorias realizadas pelo TSE, mas também por investigações do MPE (Ministério Público Eleitoral) e por estudos matemáticos e estatísticos independentes.

Além disso, as urnas eletrônicas são auditáveis e este procedimento é feito durante a votação. O processo é chamado Auditoria de Funcionamento das Urnas Eletrônicas (ou "votação paralela"). Na véspera da votação, juízes eleitorais de cada TRE (Tribunal Regional Eleitoral) fazem sorteios de urnas já instaladas nos locais de votação para serem retiradas e participarem da auditoria.

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