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Doria critica apoio de tucanos a Bolsonaro em voto impresso: 'Deplorável'

O governador de São Paulo, João Doria (PSBD) classificou como "deplorável" o apoio de tucanos às pautas bolsonaristas - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
O governador de São Paulo, João Doria (PSBD) classificou como "deplorável" o apoio de tucanos às pautas bolsonaristas Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Henrique Sales, Lucas Borges Teixeira e Rayanne Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

11/08/2021 14h31Atualizada em 11/08/2021 15h18

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), classificou como "deplorável" o apoio de deputados, inclusive os tucanos, à PEC do Voto Impresso, derrotada ontem no plenário da Câmara dos Deputados. O projeto, encabeçado pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), tem como principal apoiador o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Apesar de não fazer parte da base do governo Bolsonaro, a maioria dos parlamentares do PSDB apoiou a iniciativa: foram 14 votos a favor e 12 contra. No fim da noite, a proposta acabou rejeitada por não ter tido o apoio de três quintos dos deputados.

Doria disse lamentar a posição de apoio ao governo, em especial no seu partido, e se disse contra a mudança por confiar nas urnas eletrônicas. O governador paulista é um dos pré-candidatos do partido à Presidência da República e um dos principais nomes para disputar contra Bolsonaro.

"Considero deplorável, seja quem for, de qual partido, apoiar o governo Bolsonaro nessa iniciativa do voto impresso", disse Doria, em coletiva no Palácio dos Bandeirantes.

Eu lamento que parlamentares, inclusive do meu partido, tenham tido esta posição. Respeito, mas lamento. Mas quero dizer que os sete deputados federais do estado de SP votaram contra. A esses deputados, transmito meus cumprimentos"
João Doria, governador de São Paulo

Doria lembrou ainda que o PSDB fez, em 2014, uma ampla auditagem, coordenada por um deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), sem mencionar que a ação se deu após o candidata tucano derrotado, Aécio Neves (PSDB-MG), contestar o resultado.

A ação contou com uma equipe de auditores americanos e brasileiros e não constatou fraude alguma.

"Não há razão para mudar, principalmente porque a índole que estimulou o governo federal, o governo Bolsonaro, a tentar mudar, não foi a índole de proteger a democracia e nem proteger o voto, ao contrário: foi a de colocar em dúvida o processo democrático", afirmou o governador.

PEC do voto impresso foi rejeitada

O plenário da Câmara dos Deputados rejeitou ontem a proposta que pretendia incluir um módulo de voto impresso ao lado das urnas eletrônicas a partir das eleições de 2022.

A PEC do voto impresso (Proposta de Emenda à Constituição 135/19) teve 218 votos contra, 229 votos a favor e uma abstenção. Para que a tramitação avançasse, eram necessários votos favoráveis de 308 dos 513 congressistas.

A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) é autora da PEC. O projeto era de interesse do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e foi rejeitada no dia em que o Ministério da Defesa realizou um desfile de tanques militares em frente ao Palácio do Planalto.

O ato foi criticado por políticos, que viram a ação como uma tentativa de Bolsonaro intimidar deputados.