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Jornal: Roberto Dias teve boletos pagos após mudança em contrato milionário

7.jul.2021 - Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, em depoimento à CPI da Covid - Pedro França/Agência Senado
7.jul.2021 - Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, em depoimento à CPI da Covid Imagem: Pedro França/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

02/09/2021 09h03Atualizada em 02/09/2021 09h09

Boletos de pagamentos emitidos pela Voetur Turismo em nome do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias começaram a ser quitados dias após uma manobra que transferiu um contrato da empresa VTC Log para a área que ele chefiava.

O cruzamento de datas, segundo reportagem do jornal O Globo, reforça suspeitas de irregularidades. A VTC Log é uma empresa que possui contratos com o Ministério da Saúde e é investigada por indícios de corrupção e outros crimes. Ela e a Voetur Turismo pertencem ao mesmo grupo.

De acordo com a reportagem, a CPI afirma que os pagamentos dos boletos em nome do ex-diretor foram feitos pela VTC Log. Ontem, o motoboy Ivanildo Gonçalves, que presta serviços à empresa, afirmou, em depoimento à comissão, que realizou saque de até "R$ 400 e poucos mil", sem especificar valores exatos, em contas bancárias da VTCLog.

Na terça-feira, a CPI apresentou imagens de câmeras de segurança que mostram, segundo o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), a movimentação de Ivanildo dentro de uma agência do Bradesco em Brasília. Na mesma instituição bancária, dia e horário em que o vídeo foi captado, contas teriam sido pagas em favor da VoeTur.

A comissão aprovou pedidos de quebra de sigilos e de busca e apreensão do celular de Ivanildo.

De acordo com a reportagem, a transferência do contrato da VTC Log para o guarda-chuva de Dias ocorreu no dia 7 de maio. A quitação da primeira fatura em nome dele ocorreu no dia 18 do mesmo mês, ou seja, 11 dias depois. Os boletos não especificam a quais serviços prestados pela Voetur se referem. A comissão investiga se Dias recebeu passagens ou pacote de viagens para beneficiar a empresa.

Em 7 de maio, Dias assinou um termo de sub-rogação do contrato — instrumento que permite a mudança de um contrato de um departamento para outro em um órgão público —que a VTC Log tem com o Ministério da Saúde para o transporte de remédios e vacinas, por exemplo, no valor de R$ 573 milhões, com validade até 2023. De 2018 até esta ocasião, o contrato da empresa ficava sob responsabilidade da Coordenação-Geral de Material e Patrimônio, vinculada à Secretaria Executiva do ministério.

Segundo o jornal, agentes da PF (Polícia Federal) que auxiliam os trabalhos da CPI identificaram nove boletos da Voetur Turismo no nome de Dias. Todos foram quitados entre 18 de maio e 6 de julho, mas em nenhum dos casos o pagamento saiu da conta dele. Ontem, Ivanildo disse não se lembrar de ter pago boletos em nome de Dias e que não o conhece.

No entanto, a CPI descobriu que em pelo menos três vezes as transações foram feitas na agência do banco Bradesco no mesmo dia em que o Ivanildo Silva esteve no local.

Dias foi demitido depois que seu nome foi citado como autor de suposta cobrança de propina para levar adiante negociação de eventuais 400 milhões de doses de vacina contra o novo coronavírus.

Outro lado

Procurada, a VTC Log informou não ter conhecimento se o contrato era da gestão do DLOG ou de outro departamento. "A VTC nunca realizou nenhum pagamento ao ex-diretor do Ministério da Saúde, Roberto Dias. A empresa reitera o compromisso com o esclarecimento dos fatos e da verdade e todos os documentos estão disponíveis à CPI e aos órgãos de fiscalização e controle." O UOL tenta contato com os demais citados.

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