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3 meses

Moro desafia Lula a mostrar contas do sítio, e Bolsonaro, da rachadinha

Da esquerda para a direita, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República Jair Bolsonaro e o ex-ministro Sergio Moro - Reprodução, Cleber Clauber Caetano/PR e Leco Viana/Estadão Conteúdo
Da esquerda para a direita, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República Jair Bolsonaro e o ex-ministro Sergio Moro
Imagem: Reprodução, Cleber Clauber Caetano/PR e Leco Viana/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

28/01/2022 19h47Atualizada em 31/01/2022 07h44

Após revelar valores de seu salário enquanto trabalhou para a consultoria americana Alvarez & Marsal, o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (Podemos) desafiou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que também abra as contas do sítio de Atibaia (SP) e, em relação ao presidente Jair Bolsonaro (PL), para que dê detalhes do movimento financeiro no chamado "gabinete da rachadinha". Lula, Bolsonaro e Moro são pré-candidatos às eleições presidenciais, que serão realizadas em outubro.

O que a gente precisa agora é exigir a transparência das pessoas públicas. E vamos começar pedindo ao Lula e ao Bolsonaro que abram as contas também Sergio Moro, durante transmissão de live

Moro está sob pressão do TCU (Tribunal de Contas da União) para que revele o quanto ganhou na empresa americana Alvarez & Marsal. Há suspeita de conflito de interesses, já que a consultoria tem como clientes empresas que foram alvo da Lava Jato, como a Odebrecht.

Além de informar o valor de R$ 3,728 milhões em trabalhos prestados para a companhia em doze meses, Moro aproveitou a transmissão da live amplamente divulgada nas redes sociais para desafiar os seus dois principais rivais políticos, Lula e Bolsonaro.

Vamos dar uma sugestão para o Bolsonaro: vamos pedir para ele abrir as contas lá do gabinete parlamentar dele, do filho dele, lá do Queiroz... Você tem uma mansão lá no Paranoá? Moro ironiza Bolsonaro

Ao ouvir de Kataguiri que não teria condições de comprar uma mansão no valor de R$ 6 milhões —valor pago por um dos filhos de Bolsonaro— e que ainda divide o apartamento com outros dois assessores, Moro emendou: "Você também divide o seu salário com eles, a tal da 'rachadinha'?

Moro referia-se às investigações contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), suspeito de se apropriar de parte de salário dos servidores de seu gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). O filho do presidente, no entanto, sempre negou ter promovido esquema de "rachadinha" em seu gabinete.

Na sequência, o ex-juiz e ex-ministro direcionou a sua artilharia contra Lula.

E do Lula, vamos fazer um desafio para que abra as contas daquele sítio de Atibaia. Revelar como a Odebrecht e a OAS fizeram aquelas reformas. Vamos saber quanto e como o Lula recebeu por aquelas palestras das empreiteiras envolvidas na Lava Jato. É muito mais dinheiro. Moro ataca Lula

Lula foi acusado por promotores da Operação Lava Jato de ter se beneficiado com obras pagas por Odebrecht e OAS e pelo empresário José Carlos Bumlai totalizando cerca de R$ 1 milhão em um sítio que o ex-presidente frequentava em Atibaia (SP). Os recursos seriam contrapartida por favorecimento dado pelo governo petista às empreiteiras.

Os advogados do petista disseram, na época, que o sítio não era de Lula e que não havia lavagem de dinheiro, "posto que não se pode ocultar ou dissimular o que nunca esteve sob domínio do agente". Afirmaram ainda que não há provas dos crimes e chamam o processo do sítio de "farsa jurídica".

Em agosto de 2021, a Justiça de Brasília anulou a denúncia contra Lula no caso do sítio de Atibaia, alegando não ter provas suficientes. A decisão foi um desdobramento do que decidiu o STF (Supremo Tribunal Federal) meses antes, que julgou o ex-juiz Sergio Moro suspeito para julgamentos de casos do petista.

Candidatura à presidência

Em novembro, o ex-juiz decidiu se filiar ao Podemos e entrar oficialmente à política durante evento realizado em Brasília. Aos gritos de "Brasil para frente, Moro presidente", Moro promoveu um discurso de possível candidato a presidente.

Pesquisa eleitoral do Instituto Ipespe, contratada pela XP Investimentos, mostrou ontem que Moro tem 8% da preferência do eleitorado, empatado com o ex-ministro Ciro Gomes. Eles estão atrás do ex-presidente Lula, que tem 44% das intenções de voto, e do presidente Jair Bolsonaro (PL), que possui 24%.

Moro deixou o cargo de ministro da Justiça em 2020 após o presidente Bolsonaro decidir exonerar o então diretor-geral da PF (Polícia Federal) Maurício Valeixo, profissional de confiança do ex-juiz. À época, Moro disse que Bolsonaro queria interferir na Polícia Federal. O presidente prestou depoimento no início de novembro e negou qualquer interferência no órgão.

Desde então, o ex-juiz e ex-ministro passou a ser alvo frequente de ataques feitos por bolsonaristas —entre eles, os filhos do presidente Bolsonaro.

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