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Bolsonaro se perdeu e hoje é chantageado pelo centrão, diz Weintraub

11.fev.2020 - O então ministro da Educação, Abraham Weintraub, falando à comissão do Senado sobre problemas na correção das provas do Enem - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
11.fev.2020 - O então ministro da Educação, Abraham Weintraub, falando à comissão do Senado sobre problemas na correção das provas do Enem Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

24/04/2022 22h41Atualizada em 24/04/2022 22h50

O ex-ministro Abraham Weintraub teceu críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL), embora tenha falado que irá votar pela reeleição do chefe do Executivo. Em transmissão ao vivo, Weintraub afirmou que o presidente "mudou" durante o governo e acredita que ele está sofrendo chantagem.

"Bolsonaro foi sequestrado e acho que está sendo chantageado por esse pessoal [centrão] com ameaças de prisão, como eu fui. Como eu não fiquei com medo foram atrás dos meus filhos, podem ter ido atrás da família dele. E ele não está totalmente isento de culpa", disse o ex-ministro do MEC (Ministério da Educação).

O político falou ser pessimista sobre Bolsonaro, "porque quem anda com bandido ou vira bandido ou vira estraçalhado". Weintraub também relembrou sua saída do Ministério e disse que aconselhou ao presidente não roubar: "Agora vê quanto enrosco tem lá".

Em março, um áudio publicado pela Folha de S Paulo denunciou que o então ministro à frente do MEC Milton Ribeiro disse que o governo federal prioriza prefeituras ligadas a dois pastores.

"Foi um pedido especial que o Presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar", falou Ribeiro no áudio obtido pela Folha.

A live de hoje à noite teve a presença do irmão de Abraham, Arthur, e o também ex-ministro Ernesto Araújo.

Voto em Bolsonaro e briga com Eduardo

Em mais de uma vez durante a live, Weintraub reiterou que votará em Bolsonaro. "Nunca disse que vou votar no Lula ou em outro candidato se não o presidente Bolsonaro, mas falo que agora é por falta de alternativa, ele virou um personagem", criticou.

O ex-ministro do MEC falou que ele e a família estão "engasgados" e "apanhando calado" para não "trabalhar a reeleição do presidente", mas as falas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ontem foram o "estopim" para que Weintraub respondesse, conforme disse hoje na transmissão.

Ao comentar sobre o indulto concedido pelo pai ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), Eduardo trouxe à tona um comentário de Arthur Weintraub e disse: "E quem fala são os irmãos que saíram do país para se livrar desta perseguição. São uns filhos de uma puta! Desculpa, mas não há outra palavra".

Hoje à noite, o ex-ministro disse que essa fala indicou que a mãe dele seria prostituta. "O Eduardo disse FDP [filhos da puta] e depois falaram termos muito mais chulos, porque não conseguem apontar uma falha de caráter ou corrupção", rebateu.

Weintraub afirmou que o pai foi chamado de "maconheiro", mas ele era "professor e fez um livro sobre o malefício da droga".

Irmãos nos EUA

Irmão de Abraham e ex-assessor do governo Bolsonaro, Arthur disse que o presidente ficou insatisfeito quando o nome do ex-ministro começou a ser sondado para concorrer a um cargo de governador este ano.

Arthur falou que o chefe do Executivo deu a entender que cortaria os empregos dos irmãos nos Estados Unidos: "'Se continuar essa história de governador... Não estão ganhando em dólar? Vocês perdem isso daí'". A fala teria sido feita na época em que o presidente tinha planos de fazer uma live com grandes revelações.

Em conversa que teria ocorrido em novembro de 2021, Bolsonaro teria reforçado para os irmãos ficarem fora do país. "'Vocês podem ficar aí por vários anos. Não voltem. Seu irmão pode ser preso se pisar no Brasil e ficar igual ao Nelson Mandela'", contou Arthur hoje.

Para o irmão de Abraham, o presidente teria feito essas falas porque "a gente não fez superfaturamento em ônibus e não tivemos de sair do governo por um escândalo".

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