PUBLICIDADE
Topo

Política

Barroso diz não acreditar em golpe: "em nome de quê? Da cloroquina?"

Luís Roberto Barroso no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji - Escolastico/Photopress/Estadão Conteúdo
Luís Roberto Barroso no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji Imagem: Escolastico/Photopress/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

05/08/2022 14h39

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso disse hoje não ver condições para um golpe no Brasil e ironizou se o movimento seria a favor da cloroquina, remédio comprovadamente ineficaz contra a Covid-19 e defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Em 1964, aconteceu um golpe (...) Ali você tinha um quadro complexo de agitação social. É verdade que boa parte da classe média apoiou o golpe: a imprensa, as classes produtoras em geral apoiaram, parte do pensamento religioso apoiava, os Estados Unidos apoiavam. Portanto havia um clima. Hoje em dia não tem nada disso", disse o ministro.

Barroso citou como exemplo o manifesto da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a carta elaborada pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, ambos em defesa da democracia.

"Não há nenhuma das condições que em outros tempos procuraram legitimar o que aconteceu. Nenhuma dessas condições está presente. Golpe em nome do quê? Da cloroquina?", questionou o ministro.

As declarações foram dadas durante entrevista no 17º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), em São Paulo.

Não tenho medo das Forças Armadas, diz ministro

Questionado se havia se arrependido de convidar as Forças Armadas para acompanharem o processo eleitoral, Barroso negou, disse não ter medo, e sim respeito por elas, assim como por outras instituições.

Ele presidiu o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de maio de 2020 a fevereiro de 2022.

Na terça-feira (2), o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, solicitou ao TSE acesso "urgente" ao código-fonte dos sistemas eleitorais usados nas urnas eletrônicas. A solicitação foi feita dez meses depois de o TSE ter aberto o código-fonte das urnas às entidades fiscalizadoras, como as Forças Armadas.

"Já está aberto há um ano. Vamos supor —eu não quero fazer nenhuma ilação— que alguém estivesse usando as Forças Armadas para atacar o sistema. A culpa é do TSE que, em boa-fé, convidou uma entidade de Estado que já ajuda nas eleições, que desfruta de prestígio e credibilidade junto à sociedade brasileira para verificar a transparência das eleições e ajudar no que fosse possível?", questionou.

Barroso relembrou ainda que foi à Câmara dos Deputados no ano passado, atendendo a convites, para debater o voto impresso, uma das bandeiras de Bolsonaro.

"Fui relutantemente, depois de sucessivos convites discutir voto impresso que em boa hora foi rejeitado pela Câmara. Fui lá expor meus argumentos porque não tenho tropas, não tenho orçamento secreto", afirmou.

No dia em que a Câmara pautou a votação da proposta de emenda à Constituição sobre o voto impresso, Bolsonaro participou de um evento inédito e, ao lado dos chefes militares, acompanhou a passagem de tanques e outros veículos blindados pelo Palácio do Planalto, em Brasília.

O ministro é alvo constante do mandatário. Na mais recente investida, em entrevista à Rádio Guaíba na terça-feira (2), Bolsonaro chamou Barroso de "criminoso" por ter supostamente articulado junto a parlamentares a rejeição à proposta do voto impresso. "Sempre haverá maus perdedores", rebateu o ministro da Corte no Twitter.

Política