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Bolsonaro ganhou pistola de presente do governo dos Emirados Árabes em 2019

26.out.2019 - Bolsonaro na cidade de Abu Dhabi, em visita oficial aos Emirados Árabes Unidos - Clauber Cleber Caetano/PR
26.out.2019 - Bolsonaro na cidade de Abu Dhabi, em visita oficial aos Emirados Árabes Unidos Imagem: Clauber Cleber Caetano/PR

Colunista do UOL, na Suíça, e do UOL, em São Paulo

10/03/2023 12h56Atualizada em 10/03/2023 13h13

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ganhou uma arma de fogo de presente do governo dos Emirados Árabes Unidos na viagem que fez ao Oriente Médio em outubro de 2019.

O UOL apurou que o então presidente recebeu uma pistola como homenagem e, segundo fontes que acompanharam a viagem, a arma foi entregue a Bolsonaro quando ele já havia embarcado.

Na ocasião, o presidente passou 10 dias na região e também visitou o Qatar e a Arábia Saudita para "reforçar laços comerciais". Segundo a coluna de Guilherme Amado, do Metrópoles, Bolsonaro também ganhou um fuzil na viagem.

A reportagem do UOL questionou a defesa de Bolsonaro sobre a arma e onde ela está, mas ainda não teve retorno.

O TCU (Tribunal de Contas da União) determinou que todos os presentes recebidos em audiências oficiais com chefes de Estado são de propriedade da União. O entendimento do tribunal é de 2016 e inclui visitas oficiais ou viagens de estado ao exterior.

Nos últimos quatro anos, os Emirados passaram a ser um dos principais destinos da família Bolsonaro no mundo. Em maio de 2022, a bordo de um KC-390, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, almirante Flavio Rocha, e o secretário de produtos do Ministério da Defesa, Marcos Degaut, embarcaram para uma suposta missão empresarial que percorreria diferentes países do Golfo e outros aliados do bolsonarismo.

O périplo incluiu os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito —e chegou a fazer uma parada até mesmo na Hungria, um dos poucos aliados do bolsonarismo na Europa.

O almirante Rocha liderou a suposta missão, que ainda incluiu o Iraque e tinha como motivo oficial ampliar a venda de equipamentos bélicos brasileiros para Bagdá. O grupo ainda passou por Marrocos, Omã, Kuwait, Qatar e Arábia Saudita.

Foi também naquele momento que Bolsonaro decidiu que indicaria Degaut como embaixador do Brasil em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. A medida irritou o Itamaraty. A nomeação, porém, não conseguiu apoio no Senado e não foi concretizada.

Pelo entendimento do TCU, só podem ser levados pelo presidente no final do mandato "itens de natureza personalíssima" (como medalhas e honrarias concedidas em solenidades no Brasil e no exterior) ou produtos de consumo direto, como roupas, alimentos ou perfumes. Itens presenteados por governos estrangeiros devem ser incorporados ao patrimônio da União.

O ex-presidente e o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque terão de dar esclarecimentos sobre as joias recebidas do governo da Arábia Saudita. Eles negam irregularidades no caso.