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Coronavírus: 2º caso confirmado do DF recusou teste por 3 dias, diz governo

Teste novo coronavirus - Freepik
Teste novo coronavirus Imagem: Freepik

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

11/03/2020 13h27

O paciente que se tornou o segundo caso confirmado do novo coronavírus em Brasília se recusou por três dias a se submeter ao teste para a detecção do vírus. A informação é de autoridades de Saúde do Distrito Federal que realizaram uma entrevista coletiva de imprensa na manhã de hoje.

Ontem, a Procuradoria-Geral do Distrito Federal conseguiu uma ordem judicial para obrigar o paciente, um homem de 45 anos, a se submeter aos exames e a permanecer em isolamento domiciliar sob pena de multa.

Segundo o infectologista Eduardo Hage, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, o paciente passou a ser considerado um caso suspeito na última sexta-feira (6), quando foi entregue a eles as orientações de prevenção à saúde que incluíam isolamento e a realização dos exames. Segundo Hage, o paciente se recusou a fazer os testes até a ultima segunda-feira (9), quando realizou o procedimento num laboratório particular de Brasília. O resultado positivo foi divulgado hoje pela Secretaria de Saúde.

O paciente é marido do primeiro caso confirmado de coronavírus no Distrito Federal, o de uma advogada de 52 anos. Ela foi internada na quinta-feira (5) e teve o primeiro teste positivo conhecido na sexta-feira (6). O marido dela não apresentava sintomas, mas passou a ser considerado um caso suspeito devido ao contato com a esposa.

"A partir do momento em que a esposa dele foi considerada caso suspeito, mesmo antes da confirmação laboratorial, ele já entrou sendo classificado como caso suspeito e nesse momento já foi dada todas as recomendações pra ele. Ou seja, na sexta-feira já tinha recomendações de isolamento, manutenção em casa", diz Hage.

"Apesar da recomendação, inclusive entregue pessoalmente pra ele, ele só fez exame na segunda, daí a necessidade do mandado judicial", afirma o técnico da Secretaria de Saúde. A decisão judicial foi emitida na terça-feira (10), um dia depois de o homem ter realizado o exame. Apesar da recomendação de isolamento, o homem manteve as visitas à esposa no hospital onde ela está internada, o HRAN (Hospital Regional da Asa Norte).

Segundo a Secretaria de Saúde do DF, desde ontem ele está em isolamento em sua própria casa e não apresenta sintomas.

O secretário-adjunto de Assistência à Saúde do Distrito Federal, Ricardo Tavares, afirma que todas as pessoas que tiveram contato com o casal estão sendo monitoradas para caso manifestem sintomas da doença. Atualmente, segundo Tavares, nenhum caso suspeito de coronavírus no Distrito Federal é de pessoas que tiveram contato com esses dois casos confirmados.

O secretário-adjunto não soube precisar o número de pessoas sob monitoramento. "Não tem como a gente estipular isso, nem dizer se ele apresentou risco à população ou não, o que o governo fez foi entrar com uma ação justamente para impedir o que ele estava fazendo, que era circular pelo hospital", disse Tavares.

Ontem, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, afirmou que o governo federal deverá regulamentar "nos próximos dias" a obrigatoriedade de pacientes com suspeita de coronavírus serem submetidos a exame para detectar a infecção.

"Em relação à questão da obrigatoriedade de fazer exame, isso é uma coisa muito clara. O direito individual, ele não pode se sobrepor ao direito coletivo", disse Gabbardo.

"Nessa situação, o paciente que não quiser fazer o exame, ele até poderia individualmente não ter interesse em saber se ele tem a doença ou não, o problema é que se ele tem a doença e ele pode contaminar outras pessoas, o sistema de saúde pública precisa saber que ele tem esse vírus e que ele é um transmissor", afirmou o secretário do Ministério da Saúde.

A regra deverá ser publicada junto com as normas que vão regulamentar a lei aprovada este ano pelo Congresso Nacional que autorizou a realização de quarentena em pacientes com suspeita do vírus. Essa legislação permitiu a repatriação de 34 brasileiros e familiares que estavam na China, país com a maior incidência de casos da doença até o momento e onde teve origem a transmissão do vírus.

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