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Coronavírus

Hospital com mortes em SP não notifica casos suspeitos, diz secretaria

Vincent Bosson - 18.mar.2020/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Imagem: Vincent Bosson - 18.mar.2020/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Nathan Lopes*

Do UOL, em São Paulo

20/03/2020 09h16

O Hospital Sancta Maggiore, da empresa Prevent Senior, não está notificando casos suspeitos do novo coronavírus em São Paulo, diz nota da Secretaria Municipal de Saúde.

No hospital, onde foram as registradas as primeiras mortes pela covid-19 no país, há "casos suspeitos de coronavírus não notificados, incluindo casos que levaram pacientes à morte". As cinco mortes confirmadas até agora em São Paulo foram na rede Prevent Senior. Até a manhã de hoje, o país tem sete óbitos em razão da covid-19.

O caso do primeiro morto, um paciente internado no Sancta Maggiore, não havia sido notificado como suspeito à Secretaria Estadual de Saúde.

Até ontem, a Prevent Senior afirmava ter 123 pacientes internados por causa do novo coronavírus. Deles, 28 estão com o vírus e outros 95 são analisados. Entre os pacientes com a covid-19, há oito colaboradores da Prevent Senior.

"Falta de notificação"

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, "a falta de notificação dos casos suspeitos impede que a vigilância tome conhecimento e, consequentemente, adote as medidas necessárias".

Informações sobre os casos não notificados foram coletadas pela Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde), que "fará o contato para acompanhamento das pessoas que tiveram contato próximo" com os pacientes com suspeita.

"Após a conclusão do relatório de inspeção, a Covisa vai instaurar um processo sanitário que resultará em sanções à empresa", diz a secretaria.

Procurada, a Prevent Senior não se manifestou sobre a nota da secretaria até o momento.

Relatos de problemas

Nos últimos dias, a reportagem do UOL esteve no hospital Sancta Maggiore e constatou um clima de tensão entre os funcionários. Colaboradores disseram que, no hospital, só há casos de coronavírus.

A família da primeira vítima que morreu por coronavírus disse que só soube da causa da morte do homem de 62 anos pela imprensa, depois do enterro.

"Cheguei em casa depois que enterrei meu irmão e foi na televisão que vi a causa da morte. Falta de respeito e humanidade com a gente", disse Maria da Graça Freitas, irmã de Manoel Messias Freitas Filho, 62.

O hospital também só avisou a família de uma vítima de coronavírus a respeito de sua morte 20 horas após o falecimento. A assessoria da Prevent Senior não se manifestou sobre os casos relatados pelas famílias.

*Colaboraram Paulo Sampaio e Felipe Pereira, do UOL, em São Paulo

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