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Einstein recomenda que médicos não usem cloroquina em pacientes com covid

Comprimidos de cloroquina, não recomendado pelo Einstein ao tratamento de pacientes com covid-19 -  Dalibor Ogrizovic/FreeImages
Comprimidos de cloroquina, não recomendado pelo Einstein ao tratamento de pacientes com covid-19 Imagem: Dalibor Ogrizovic/FreeImages

Gabriela Sá Pessoa

Do UOL, em São Paulo

25/06/2020 19h36Atualizada em 26/06/2020 12h48

Em comunicado distribuído hoje a seus funcionários, o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, informou que "não recomenda" que médicos tratem pacientes da instituição com cloroquina.

Ao ser questionada, na quinta-feira, se haveria a proibição do uso do remédio, a assessoria do hospital havia afirmado à reportagem do UOL que sim. Na manhã desta sexta-feira, a instituição informou que "não há uma proibição, mas uma recomendação para a não utilização nem em modo off label, ou seja, fora das indicações homologadas para os fármacos pela agência reguladora no Brasil, a Anvisa".

O documento, assinado pela direção do hospital, afirma que não há evidências de que o medicamento reduz a mortalidade e o tempo de internação ou evite o uso de ventilação mecânica em pacientes graves. Também argumenta que possíveis benefícios da cloroquina não superam seus riscos.

O Einstein não tinha protocolo orientando o uso do medicamento —-até esta quinta-feira (25), cada médico podia decidir se o administrava ou não a seus pacientes, segundo o hospital informou à reportagem.

Em março, no início da pandemia no Brasil, o Einstein anunciou que começou a testar o medicamento em pacientes com coronavírus, assim como outros hospitais do país. Sem resultados satisfatórios, as instituições passaram a descartar o medicamento em seus protocolos.

Em 20 de maio, o Ministério da Saúde publicou um protocolo orientando o tratamento com cloroquina em todos os pacientes com covid-19, mesmo os casos leves. A diretriz da pasta foi apontada como a principal divergência entre Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, culminando na saída do médico do governo.

O comunicado à equipe do Einstein também cita a decisão das autoridades sanitárias dos Estados Unidos que, em 15 de junho, suspendeu o uso de cloroquina no país.

Leia a íntegra do informativo do Einstein:

"Frente ao recente comunicado divulgado pela agência americana FDA revogando a autorização de utilização emergencial do medicamento sulfato de hidroxicloroquina e fosfato de cloroquina no atendimento a pacientes com covid-19, levando em consideração que os estudos não mostraram diferenças em relação ao tratamento padrão e que os benefícios do uso dos medicamentos não superaram seus riscos conhecidos e potenciais, além de um estudo controlado randomizado não demonstrar evidência e benefícios em relação a mortalidade, tempo de internação ou necessidade de ventilação mecânica, o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) juntamente com o Comitê de Especialistas Einstein, não recomendam o uso dos medicamentos em pacientes hospitalizados por covid-19 no hospital".

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado em uma versão anterior deste texto e chamado na Home do UOL, o uso da cloroquina não foi proibido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, e sim teve seu uso "não recomendado" no tratamento dos pacientes com covid-19. Ao ser questionada se haveria a proibição do uso do remédio, a assessoria do hospital havia afirmado à reportagem do UOL que sim. Na manhã desta sexta-feira, a instituição informou que "não há uma proibição, mas uma recomendação.

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