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Coronavírus

O que se sabe sobre as vacinas contra covid que podem chegar ao Brasil

Enfermeira prepara candidata a vacina contra o coronavírus para aplicação em voluntário em Moscou - TATYANA MAKEYEVA
Enfermeira prepara candidata a vacina contra o coronavírus para aplicação em voluntário em Moscou Imagem: TATYANA MAKEYEVA

Guilherme Castellar

Colaboração para o UOL, no Rio

20/10/2020 04h00Atualizada em 21/10/2020 12h25

Seis vacinas contra a covid-19 estão em fase final de desenvolvimento no mundo todo. Quatro estão em testes no Brasil, com autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Sem informações completas divulgadas ao público, o que há no momento são prazos ou projeções, sem data definida para o começo da imunização.

Coronavac

Nesta semana, o centro da discussão entre Jair Bolsonaro (sem partido) e João Doria (PSDB) foi a Coronavac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan —ligado ao governo paulista.

O governo do estado de São Paulo já tinha anunciado que deve receber 46 milhões de doses no último mês do ano. Há ainda uma previsão de outras 15 milhões em fevereiro, caso seja necessário.

Ontem, em reunião com 24 governadores, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, informou que o imunizante deve entrar no Plano Nacional de Imunização.

Os primeiros resultados dos testes da Coronavac, com 9.000 voluntários no país, foram divulgados na segunda-feira (19). Segundo o Instituto Butatan, 35% dos voluntários tiveram algum tipo de efeito colateral, —o mais comum foi dor no local de aplicação. Não houve reações de grau 3, que são mais graves. Os testes continuam.

No quesito prazo, a Coronavac larga na frente, mas faltam informações concretas.

Único a cravar o início da vacinação em dezembro, começando pelos profissionais da saúde, o governador João Doria (PSDB) mudou de estratégia e disse que ainda não é possível precisar quando as doses estarão disponíveis.

Astrazeneca e Universidade de Oxford

O imunizante ChAdOx1 nCoV-19 foi encomendado por Brasília com o laboratório Astrazeneca e a Universidade de Oxford —e será fabricado pela Fiocruz em Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro, a partir de abril de 2021.

O governo federal disse que contará com 100 milhões de doses no primeiro semestre de 2021 e mais 110 milhões na segunda metade do ano, mas sem se comprometer com uma data para início da imunização. O que foi anunciado na semana passada foi apenas que o Brasil receberia mensalmente, a partir de janeiro, 15 milhões de doses da "vacina de Oxford".

Janssen-Cilag

Em fase de testes clínicos, o imunizante da Janssen-Cilag sofreu um revés no começo da semana passada devido ao aparecimento de uma doença inexplicada em um participante da pesquisa. A farmacêutica anunciou uma pausa nos estudos.

Natalia Pasternak, microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência, avalia que todas as vacinas em teste no Brasil são promissoras. "Todas tiveram bons resultados nas primeiras fases, geraram resposta imune e tiveram poucos efeitos colaterais."

Agora, os fabricantes competem para ver quem irá comunicar primeiro os resultados preliminares dos testes clínicos da fase 3. Com os resultados, começa a corrida para aprovar o uso da vacina com os órgãos sanitários dos países.

Testes e negociações

Outras vacinas em desenvolvimento no mundo também podem chegar ao país.

Em setembro, o Brasil confirmou a "intenção de aderir" à Covax Facility, programa mundial que tem o objetivo de impulsionar o desenvolvimento de vacinas contra a covid-19.

O consórcio internacional trabalha com nove empresas para permitir que 2 bilhões de doses sejam distribuídas a partir de 2021, no mundo todo. Mas ainda não há muitos detalhes sobre o andamento deste projeto.

No aspecto insegurança das informações, entre os imunizantes cotados para uso no Brasil, ninguém vence a Sputnik V, criada por centros de pesquisas russos.

O acordo realizado entre o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) e a farmacêutica União Química pode permitir que a empresa produza a vacina no Brasil em dezembro.

A produção da vacina russa também deve ocorrer na Coreia do Sul, na China e na Índia, país em que os lotes também devem começar a ficar prontos neste ano. O diretor executivo do fundo russo, Kirill Dmitriev, afirmou que o Brasil é um parceiro confiável.

Na segunda-feira (19), Dmitriev afirmou que 230 milhões de doses da Sputnik V começam a ser despachadas para a América Latina, a partir de janeiro. O governo da Bahia disse que comprou 50 milhões de doses do imunizante.

Previstos para o início de outubro, os testes da fase 3 da vacina russa com voluntários brasileiros ainda não saiu do papel. Em nota, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) afirma que estão na fase final da elaboração do protocolo de validação dos testes clínicos da Sputnik V no país.

Desafio logístico

A disputa pela primeira dose de vacina acaba por tirar o foco para outro problema que tem sido pouco detalhado pelas autoridades de Saúde: como dar conta de levar a vacina para toda a população brasileira.

O desafio logístico inclui a preocupação com a refrigeração. A maioria das vacinas em estudo no Brasil exige temperatura de 2ºC a 8ºC e pode ser armazenadas em geladeiras comuns. O governo federal afirma que todos os postos de saúde estão equipados e já está acostumado com a distribuição de medicamentos nessa condição.

Mas o imunizante da Pfizer-BioNTech, que tem a tecnologia mais moderna —usa mRNA, o RNA mensageiro do vírus—, exige temperaturas entre -20ºC e -70ºC, encontrada apenas em freezers de laboratório. "Ela pode ser uma supervacina, só que a gente não consegue botá-la em todo o Brasil", comenta Pasternak.

Outro aspecto carente de definição é o dos grupos com prioridade (idosos, pessoas com comorbidades, profissionais de saúde, entre outros) para receber os imunizantes. O Ministério da Saúde não nega que esses pontos ainda carecem de definição. Mas promete apontar toda a estratégia de imunização contra a covid-19 quando apresentar o Plano de Nacional Imunização (PNI), entre novembro e dezembro.

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