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Sem escola, criança desaprende a usar garfo e volta à fralda na Inglaterra

Crianças na escola em Oldham, Inglaterra. Falta de convívio escolar começa a mostrar efeitos colaterais  - OLI SCARFF-7.set.2020 / AFP
Crianças na escola em Oldham, Inglaterra. Falta de convívio escolar começa a mostrar efeitos colaterais Imagem: OLI SCARFF-7.set.2020 / AFP

Duda Lafetá

Colaboração para o UOL, em Londres

20/11/2020 04h04

A Inglaterra anunciou os primeiros resultados das escolas no pós-lockdown e traça um quadro desolador. A educação à distância, com o fechamento das escolas, teve um resultado negativo para as crianças das escolas primárias do país, segundo o Ofsted, órgão que fiscaliza e regulamenta as instituições de ensino

Novecentas escolas foram inspecionadas neste primeiro bimestre, a maior amostragem do gênero até o momento, e a conclusão foi de que o grupo mais afetado pela quarentena foi o das crianças mais novinhas.

De acordo com o documento, crianças menores desaprenderam a usar garfo e faca, outras regrediram às fraldas, afetadas pela ausência de convívio. A situação se agrava em casos de crianças com pais que trabalham fora. De uma maneira geral, os inspetores observaram que houve uma diminuição do vocabulário dessas crianças e um declínio na fluência e no desejo de leitura.

Dentre as crianças um pouco mais velhas (de 7 a 11 anos) o que se observou foi uma queda significativa na capacidade de concentração.

Professores têm de restabelecer as normas de convívio social na escola. Os alunos, que passaram muito tempo no mundo virtual, perderam parte da capacidade de se relacionarem civilizadamente no mundo real.

Até que vacinas eficazes e seguras sejam manufaturas e que a população seja imunizada, as chances de um ano escolar sem interrupções são muito baixas. O caso da St Dunstans, uma escola ao sul de Londres, é um exemplo.

De tempos em tempos, as escolas têm um dia sem alunos no qual os professores se reúnem para planejar as aulas e discutir estratégias ou fazerem cursos de aperfeiçoamento. Há duas semanas, a escola teve um destes dias, que caiu numa sexta-feira.

O time de professoras (sete delas) das classes do maternal e do pré-primário passou o dia junto, numa sala pouco ventilada. Todas sem máscaras, já que não era um requisito na Inglaterra. No sábado, uma delas acordou com febre alta e perda de paladar. No domingo à noite, recebeu o resultado positivo pata covid-19.

Na segunda pela manhã, muitos pais bateram com a cara na porta da escola. Todas as professoras, que haviam se reunido na sexta, foram colocadas imediatamente em isolamento por 14 dias.

Os exames nacionais das escolas secundárias, semelhantes ao Enem, foram suspensos neste ano. País de Gales e a Escócia já avisaram que vão cancelar novamente os exames nacionais, que geralmente acontecem no fim de maio, começo de junho. A Inglaterra tem batido o pé; "'Vamos sim ter os exames, porque consideramos que seja a melhor forma de avaliação", disse a ministra para universidades.

A questão é qual o critério as universidades vão adotar no ano que vem para a seleção de novos alunos, uma vez em que existem dois cenários no momento, um que usa a avaliação e a previsão de notas, feitas pelos professores em sala de aula e outra que é o resultado dos exames nacionais.

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