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Sem vacinas, São Paulo atrasa início de vacinação para maiores de 80 anos

Enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, a primeira brasileira a receber dose da vacina Coronavac - Governo do Estado de São Paulo / Divulgação
Enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, a primeira brasileira a receber dose da vacina Coronavac Imagem: Governo do Estado de São Paulo / Divulgação

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

12/02/2021 04h00

Idosos com mais de 90 anos e, depois, com mais de 85 anos começaram a receber a vacina contra covid-19 na última semana no estado de São Paulo. Mas o governo anunciou o início da imunização da faixa entre 80 e 84 anos apenas para o dia 1º de março. Esta é a data que, segundo o antigo PEI (Plano Estadual de Imunização), idosos acima de 75 anos já estariam tomando a segunda dose.

O motivo do atraso? A falta de vacinas, justifica o governo estadual, que, em janeiro, aderiu ao PNI (Plano Nacional de Imunização). Até agora, foram distribuídas quase 12 milhões de doses pelo país — o bastante para imunizar apenas 6 milhões de pessoas, menos de 3% da população brasileira.

"Marcamos [as datas] de acordo com a quantidade de vacinas. Não tem vacina. Se conseguirmos, iremos adiantar, como temos feito, mas tudo depende da quantidade de vacina disponível", disse o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn.

Ao UOL, o Ministério da Saúde afirmou já ter "garantido" 354 milhões de doses, por meio dos acordos com a Fiocruz (212,4 milhões de doses), Butantan (100 milhões de doses) e Covax Facility (42,5 milhões de doses). O órgão não apresentou, no entanto, um calendário de entrega dessas doses. A pasta disse ainda que "firmou memorandos de entendimento" com as fabricantes Pfizer, Jansen, Sinopharm, Bharat e Gamaleya.

Vacinação de acordo com a produção das doses

O início da vacinação no estado, previsto pelo PEI para o dia 25 de janeiro, foi adiantado para o dia 17, quando a CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac, foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Desde então, o estado tem marcado as datas de vacinação de acordo com a produção das doses, abandonando o plano estadual apresentado em janeiro.

Quando estipulamos 85 anos ou mais, é a população que podemos vacinar neste momento com quantitativos que temos. Sabemos qual é a população com 60 anos ou mais, é em torno de 7 milhões. Precisamos de mais vacinas para colocar para os municípios fazerem vacinação.
Regiane de Paula, coordenadora do Controle de Doenças da Secretaria da Saúde de SP

Alguns municípios paulistas começaram a vacinar outras faixas etárias —idosos com mais de 80 ou 75 anos— porque contavam com doses em estoque. Mas são exceções e não podem garantir as próximas faixas etárias, por enquanto.

Duas vacinas aprovadas

Ao todo, foram distribuídas no Brasil quase 12 milhões de doses das duas vacinas aprovadas: a CoronaVac e a Oxford/AstraZeneca. Até a semana passada, o Butantan havia liberado para o país 9,8 milhões de doses em três remessas e o Ministério da Saúde distribuiu 2 milhões de doses do imunizante de Oxford/AstraZeneca no fim de janeiro.

Agora, os estados aguardam a produção de novas doses ou a compra de uma outra vacina por parte do Ministério da Saúde. Por falta de insumos, que vêm da China, o Butantan ficou quase 20 dias sem produzir a CoronaVac.

A produção foi retomada no último dia 4, com a chegada de 5.400 litros de matéria-prima (o bastante para 8,6 milhões de doses). Na última quarta (10), recebeu mais 5.600 litros da China (mais 8,7 milhões). Segundo o instituto, agora a produção não irá mais parar e a distribuição ao Ministério da Saúde deverá ser retomada no dia 23 de fevereiro.

A Fiocruz também iniciou a produção da vacina de Oxford/AstraZeneza com a chegada de 90 litros de insumos (o bastante para 2,7 milhões de doses) no último final de semana. O começo da entrega deverá ocorrer em março.

É preciso mais vacinas

A avaliação tanto dos governos estaduais quanto de especialistas é que o Brasil precisa de mais opções de vacinas - ou maior quantidade das já presentes.

"Eu também me preocupo se penso que [a população de] 80 anos só começará a ser vacinada em vinte dias. Mas precisamos de mais vacinas. Tem Pfizer, Moderna, Sputnik... O Ministério da Saúde deveria agir, articular", pondera o pneumologista Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo.

Até então, só a CoronaVac e a Oxford/AstraZeneca foram aprovadas pela Anvisa. A Pfizer pediu registro da "Cominarty", produzida em parceria com a BioNTech, no último dia 6. A agência tem até 60 dias para analisa-lo, mas já prometeu maior celeridade.

O Ministério da Saúde tem argumentado que "tem interesse" em comprar "todas as vacinas que tiverem sua segurança e eficácia comprovadas e o registro na Anvisa".

Ainda assim, em agosto, o governo federal recusou um contrato prévio de 70 milhões de doses da Pfizer, a serem distribuídas assim que a farmacêutica conseguisse a autorização por aqui. Como justificativa, disse que, apesar da quantidade de doses que garantir a vacinação de 35 milhões de brasileiros, o acordo "causaria frustração a todos".

"Na última semana, representantes da pasta se reuniram com representantes do Gamaleya e do Bharat Biotech, para avançar na aquisição de mais 30 milhões de doses de vacinas", disse a nota da Saúde, em resposta ao UOL.

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