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Conteúdo publicado há
1 mês

Pfizer fez exigências difíceis e ofereceu poucas doses, diz ministro

Thaís Augusto, Gabriel Toueg e Michael Verissimo

Do UOL, em São Paulo

13/05/2021 10h47Atualizada em 13/05/2021 12h30

O ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD-RN), afirmou hoje que o governo federal não fechou contrato com a Pfizer em 2020 pela "pouca quantidade" de vacinas oferecidas ao Brasil e que as exigências feitas pela fabricante "não eram simples", já que dependiam da aprovação do Congresso Nacional.

A declaração foi dada ao UOL Entrevista, conduzido pela apresentadora Fabíola Cidral e pelos colunistas Carla Araújo e Tales Faria.

"A Pfizer ofereceu [vacinas] para o mundo inteiro e deixou uma grande quantidade para os Estados Unidos. Israel também comprou uma grande quantidade. E nos outros países, foram pingos, poucas quantidades", afirmou ele. "Naquele momento, foram oferecidos ao Brasil 70 milhões de doses para 2021. Desses, 90% seriam para o segundo semestre. E a exigência que eles pediam tinha que ter autorização do Congresso."

Faria lembrou que a relação entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), não era positiva.

Não era simples fazer tudo aquilo para que a gente tivesse uma quantidade pequena [de vacinas]".
Fábio Faria diz que Brasil não assinou contrato com a Pfizer em 2020 por exigências difíceis

Ontem, o ex-secretário de Comunicação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) Fábio Wajngarten afirmou que uma carta enviada pela Pfizer e endereçada ao governo ficou dois meses parada. No documento, a farmacêutica pedia ao governo brasileiro celeridade nas negociações e manifestava interesse em colaborar com o Brasil. As declarações de Wajngarten fazem parte de seu depoimento à CPI da Covid, que investiga omissões do governo federal durante a pandemia do coronavírus.

Ofertas recusadas

O governo é acusado de ter recusado ofertas de compras de imunizantes feitas tanto pelo Butantan como pela americana Pfizer. A demora na compra antecipada de vacinas, ainda em 2020, já foi apontada por profissionais da área de saúde como o maior erro que levou à demora na vacinação para covid-19 no Brasil.

O primeiro contrato para a compra de vacinas da Pfizer para a covid-19 só foi fechado pelo governo federal em março deste ano. A farmacêutica diz que negocia a venda com o Brasil desde agosto de 2020.

Ao longo de 2020, o órgão do governo defendeu em mais de uma ocasião em seu perfil no Twitter medicamentos sem eficácia ou o suposto "tratamento precoce" da covid, inclusive com orientações para uso de cloroquina em crianças, gestantes e adolescentes diagnosticados (veja aqui, aqui, e aqui).

Desde o fim de abril, no entanto, estudos feitos com milhares de pessoas já apontavam a ineficácia da cloroquina contra o novo coronavírus.

Apesar de uma mudança recente de discurso, por reiteradas vezes Bolsonaro desacreditou a vacinação como forma de combate à covid-19, ironizando seus efeitos, defendendo a não obrigatoriedade da vacina em campanhas oficiais do governo e, inclusive, se recusando a ser vacinado.

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