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Política

Ministro sobre rejeição ao governo: 'Bolsonaro não acredita em pesquisas'

Thaís Augusto, Gabriel Toueg e Michael Verissimo

Do UOL e Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/05/2021 11h44

O ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD-RN), disse hoje que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não se pauta por pesquisas. Ao comentar levantamento Datafolha de ontem que indica queda da popularidade de Bolsonaro e cenários desfavoráveis à sua reeleição, Faria disse que "a fotografia de hoje é ruim, mas daqui a três, quatro meses vai ser muito melhor". As declarações foram feitas durante o UOL Entrevista, com apresentação de Fabíola Cidral e participação dos colunistas Carla Araújo e Tales Faria.

"A campanha política não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona", disse o ministro. "A gente sabe o que vai acontecer lá na frente. Tudo que vier agora é ruim. A gente não vai olhar o cenário agora. O governo Bolsonaro não se baseia em pesquisas", afirmou o ministro.

Bolsonaro não gosta de pesquisa, não acredita em pesquisa, não vê pesquisa, nem boa, nem ruim, nem média. Nunca mandei uma pesquisa para ele que ele tenha respondido. Fábio Faria, ministro das Comunicações

Faria também comentou as investigações sobre o caso das rachadinhas, que implica o filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Segundo ele, o assunto está "resolvido". "As últimas notícias que a gente viu no STJ mostraram que isso está resolvido, já teve vitória do senador Flávio", afirmou. De acordo com o ministro, a investigação foi feita "para tentar manchar algo em relação ao presidente" e não guarda relação com o governo. "Foram denúncias que ocorreram no passado, já com vitórias do senador Flávio, querem colocar isso com algo do governo", defendeu.

Para Faria, o governo é "honesto". "Não existe nenhum decreto, negócio, empresa que vem tratar em Brasília com qualquer ministro. Não existe toma-lá-da-cá", disse.

Troca de partido

Ainda sobre o cenário eleitoral de 2022, Faria anunciou que poderá deixar seu atual partido, o PSD, e migrar para o PP. "Não tenho como continuar no partido se ele não votar no presidente Bolsonaro", afirmou, garantindo que as negociações para isso estão adiantadas.

Segundo Faria, o fundador e presidente de seu atual partido, Gilberto Kassab, disse que o PSD não pretende apoiar nem Lula (PT) nem Bolsonaro. "Ele deve ter candidato próprio", disse. Em abril, Kassab declarou ser muito difícil que o presidente dispute o 2º turno em 2022. "O legado vai ser muito ruim, com [projeção de] 500 mil mortos [pelo coronavírus]. Vai ter de trabalhar muito para reverter sua imagem", disse.

Ofertas da Pfizer

Faria disse também que o governo federal não fechou contrato com a Pfizer ainda em 2020 pela "pouca quantidade" de vacinas oferecidas ao Brasil na ocasião e porque as exigências feitas pela fabricante "não eram simples", já que dependiam da aprovação do Congresso Nacional. "Não era simples fazer tudo aquilo para uma quantidade pequena [de vacinas]", afirmou.

Ontem, o ex-secretário de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, afirmou na CPI da Covid que uma carta enviada pela Pfizer e endereçada ao governo ficou dois meses parada até ser respondida por ele. A farmacêutica pedia celeridade do governo nas negociações e manifestava interesse em colaborar com o Brasil.

Pazuello na CPI

Ainda sobre a CPI, Faria negou que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello esteja sendo preparado para o depoimento pela Secom. "É mentira. Em nenhum momento tive conversas para preparar Pazuello", disse o ministro, que afirmou não estar trabalhando com temas da comissão parlamentar que investiga omissões do governo federal durante a pandemia do coronavírus. "Praticamente nem vi o depoimento de ontem [de Wajngarten], não tem ninguém que está fazendo essa preparação".

Segundo o ministro, a preocupação do presidente com a CPI é "nula". "A minha é zero, tanto é que não estou vendo nenhum depoimento. Zero. Tudo que está sendo falado na CPI é amplamente divulgado nas mídias diariamente", garantiu Faria.

Internet 5G

Faria anunciou ainda que vai comunicar as empresas de telecomunicação para que deixem de publicar anúncios sobre a internet 5G, que ainda está indisponível no Brasil. "Vou mandar hoje um pedido para as empresas teles e Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Eles estão colocando 5G no celular e isso está causando algo nas pessoas que não é real. Não temos ainda 5G funcionando".

Na semana passada, Faria disse esperar que o leilão do 5G possa ocorrer ainda no mês de julho deste ano. Segundo ele, o leilão não vai priorizar a arrecadação, mas sim a realização de investimentos para ampliar a conectividade. Entre as obrigações impostas estão a implantação do 4G em cerca de 2.000 localidades acima de 600 habitantes e em quase 50 mil km de rodovias federais.

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