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Amazônia faz embaixador da UE alertar sobre acordo do Mercosul

Foto tirada em 15 de agosto de 2020 mostra queimada ilegal na Amazônia, em Novo Progresso (PA) - Carl de Souza/AFP
Foto tirada em 15 de agosto de 2020 mostra queimada ilegal na Amazônia, em Novo Progresso (PA) Imagem: Carl de Souza/AFP

17/09/2020 12h15

O embaixador da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybáñez, afirmou que a ratificação do acordo entre o bloco europeu e o Mercosul pode fracassar se o Brasil não apresentar "resultados" na luta contra o desmatamento da Amazônia.

Em entrevista publicada hoje pelo jornal "O Globo", o representante destacou a importância do tema para os europeus.

"O processo de ratificação e assinatura do acordo será político e haverá debate. O acordo tem um capítulo sobre comércio e desenvolvimento sustentável, com compromissos de ambas as partes sobre regras que promovem a sustentabilidade. O capítulo fala, por exemplo sobre o compromisso de respeitar o Acordo de Paris sobre clima. Também sobre a proteção da biodiversidade", disse ao jornal.

Segundo o embaixador, há um debate político relacionado a "questões que acontecem à margem do acordo, como os incêndios na Amazônia e o desmatamento".

Ybáñez afirmou que tem "insistido muito" com o governo brasileiro para que já comece a cumprir o Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário, "em matéria de sustentabilidade".

Apesar de dizer que o governo tem dado passos certos, como no caso da criação do Conselho Nacional da Amazônia Legal, ele pontuou que "ainda precisamos de resultados: ONGs, empresa internacionais e brasileiras, todos têm dado o mesmo recado: a sustentabilidade é uma obrigação para todos".

A entrevista do embaixador europeu vem um dia depois do vice-presidente, Hamilton Mourão, ter recebido um pedido formal de oito países do Velho Continente para que o Brasil seja mais efetivo no combate às queimadas que vem destruindo não apenas a Amazônia, mas outros biomas nacionais.

O acordo entre a UE e o Mercosul foi firmado em junho de 2019 após cerca de 20 anos de negociações entre as partes. Porém, para entrar em vigor, o documento precisa ser aprovado por todos os 27 países-membros do bloco europeu.

No entanto, o texto vem enfrentando resistência onde já começou a ser debatido, caso dos Países Baixos - onde o Parlamento aprovou uma moção contra o acordo -, e de um parlamento regional da Bélgica. Nesses casos, as decisões não são vinculativas para o governo. Já o Parlamento da Áustria, em ato vinculativo, rejeitou a parceria.

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