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Irã detém e condena à morte cidadãos acusados de espionar para a CIA

22.jun.2019 - Pintura no muro da antiga embaixada dos EUA em Teerã, capital do Irã, mostra o aiatolá Khomeini e a bandeira iraniana - Atta Kenare/AFP
22.jun.2019 - Pintura no muro da antiga embaixada dos EUA em Teerã, capital do Irã, mostra o aiatolá Khomeini e a bandeira iraniana Imagem: Atta Kenare/AFP

Em Teerã

22/07/2019 08h45

A Inteligência do Irã anunciou hoje que deteve 17 cidadãos iranianos que trabalhavam como espiões para a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos e que alguns deles já foram condenados à morte.

Estes espiões faziam parte de uma rede de espionagem cibernética dos EUA que foi desmantelada pelo Irã há algum tempo, segundo revelaram no mês passado as autoridades iranianos.

O chefe de antiespionagem do Ministério de Inteligência do Irã, cujo nome não é público, disse nesta segunda-feira em entrevista coletiva que aqueles que "tinham colaborado consciente e deliberadamente (com a CIA)" foram entregues ao Poder Judiciário e condenados à morte ou a "longas" penas de prisão.

O agente indicou que os sentenciados à pena capital, dos quais não ofereceu um número exato, foram considerados culpados de "corrupção na terra", uma acusação que a jurisprudência islâmica castiga geralmente com a forca.

Alguns dos detidos - que, segundo o responsável de antiespionagem, "interagiram com plena honestidade com a Inteligência (iraniana) e comprovaram seu arrependimento" - foram utilizados para conseguir informação dos EUA.

Os 17 detidos não estavam em contato entre si, mas cada um se comunicava com um agente da CIA, e eram empregados em "centros do setor privado sensíveis e vitais" do país, como por exemplo na área nuclear e militar, explicou o agente.

Todos eles recopilavam "informação confidencial" e tinham sido treinados por oficiais da CIA sobre como estabelecer uma comunicação segura entre o interior do Irã e o exterior.

As ferramentas de comunicação segura e de espionagem foram enviadas à sua rede no Irã incrustadas no interior de pedras, que eram deixadas na rua ou em parques, acrescentou o responsável pela Inteligência iraniana.

A CIA se aproximou dos iranianos em conferências científicas realizadas na África, na Ásia e na Europa ou lhes contatou pelas redes sociais e internet, prometendo-lhes dinheiro e vistos ou residência nos EUA.

Os espiões contavam com documentos de identidade falsa, que a CIA deu a ordem de eliminar após o desmantelamento da rede de espionagem, segundo os serviços secretos iranianos.

A Inteligência iraniana publicou, além disso, fotografias dos espiões e documentos que lhes foram apreendidos.

Todos estes novos dados foram revelados depois que, no último dia 17 de junho, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Shamjani, anunciou que tinham acabado com uma rede de espionagem cibernética.

Esta rede teve "um papel importante nas operações da CIA em diferentes países", segundo Shamjani, que citou a cooperação com outros países e a detenção de um número de espiões, mas sem oferecer detalhes.

As acusações de espionagem são comuns entre Teerã e Washington, que mantêm uma relação à beira do conflito desde que no ano passado os EUA decidiram retirar-se de forma unilateral do acordo nuclear de 2015 e voltar a impor sanções econômicas ao Irã.

A tensão tem se estendido ao golfo Pérsico, onde nos últimos meses ocorreram vários ataques a embarcações, a derrubada de drones e a captura na sexta-feira passada de um petroleiro britânico por parte do Irã.

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