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Irã considera demissão de John Bolton positiva , mas mostra cautela

John Bolton, então conselheiro de Donald Trump - Jim Young/Reuters
John Bolton, então conselheiro de Donald Trump Imagem: Jim Young/Reuters

Em Teerã

11/09/2019 08h08

As autoridades do Irã consideraram, nesta quarta-feira, positiva a demissão do conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, defensor da linha dura contra Teerã, mas indicaram que essa mudança não influencia sua recusa em negociar com Washington.

O porta-voz do governo iraniano, Ali Rabiei, afirmou que "com a expulsão de seu maior defensor da guerra e do terrorismo econômico, a Casa Branca terá menos obstáculos para entender as realidades do Irã".

"Meses atrás, John Bolton prometeu que o Irã não duraria três meses; ainda estamos de pé e ele foi embora", afirmou Rabiei, referindo-se às tentativas do então assessor de segurança de dirigir ao presidente americano, Donald Trump, para um conflito com o país persa.

Mais cauteloso foi o representante do Irã nas Nações Unidas, Majid Takht Ravanchi, afirmando ser "muito cedo" para avaliar o impacto da saída de Bolton.

"Bolton era conhecido como um intransigente. Agora, se a política agressiva dos Estados Unidos mudará ou não, depende de vários elementos", explicou, à agência oficial iraniana "IRNA".

Questionado sobre a possibilidade de uma reunião entre Trump e o presidente iraniano Hasan Rohani, Ravanchi ressaltou que a rejeição do Irã a esta opção não mudou, apesar da demissão de Bolton.

"Já dissemos muitas vezes, e o presidente Rohani deixou perfeitamente claro, que enquanto os EUA impõem sanções injustas e terrorismo econômico ao povo iraniano, não há possibilidade de negociações", afirmou.

Enquanto isso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Abas Musavi, disse que não emitirá "nenhuma declaração sobre assuntos internos dos Estados Unidos".

Trump anunciou ontem a demissão de seu polêmico assessor de Segurança Nacional, após de meses de desacordos em questões importantes de sua política externa como a Venezuela, Irã, Coreia do Norte e Afeganistão.

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