Rompimento de adutora inunda casas e mata criança no Rio

Paula Bianchi
Do UOL, no Rio

O rompimento de uma adutora da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) na estrada do Mendanha, em Campo Grande, na zona oeste do Rio, na manhã desta terça-feira (30), alagou casas, arrancou telhados e arrastou carros. Uma criança de três anos morreu.

TRAGÉDIA

Pensei que fosse um tsunami. Foi muito forte, muita água e vento. Só tive tempo de levar minha família para a cozinha e a água já começou a entrar

Jorge Luiz Carvalho, morador de Campo Grande, na zona oeste do Rio

A vítima foi identificada pelo Corpo de Bombeiros como Isabela Severo da Silva. Após ser atendida no hospital Rocha Faria, em Campo Grande, Isabela teve parada cardiorrespiratória e não resistiu.

Foram resgatadas com ferimentos outras 16 pessoas, das quais oito foram encaminhadas ao hospital Rocha Faria. Segundo boletim da Secretaria Estadual de Saúde, há duas crianças e cinco adultos internados. Apenas uma vítima recebeu alta.

As sete pessoas hospitalizadas apresentam quadro clínico estável, segundo informou o órgão estadual. A maioria sofreu escoriações. Uma criança e um adulto passaram por tomografia e aguardam avaliação cirúrgica.

Técnicos da Defesa Civil que estão no local informaram que houve o desabamento de 17 casas em função da força da água. Outras 16 foram atingidas parcialmente. O acidente deixou 72 pessoas desabrigadas e 70 desalojadas.

Na conta da Cedae

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou que a Cedae se responsabilizará pela construção das casas que foram destruídas após o rompimento da adutora.

"Viemos aqui para prestar apoio, solidariedade e acolhimento para as famílias atingidas. A Cedae irá ajudar na reconstrução das casas e alojamentos das famílias. Acima de tudo, viemos aqui para prestar nossa solidariedade. Não vamos medir esforços para ajudar essas famílias", afirmou Cabral, que não quis responder a perguntas sobre protestos.

Internauta filma água de adutora sobre casas no Rio

O GOVERNADOR

  • Darlei Marinho/Agência O Globo

    Sérgio Cabral chegou a Campo Grande por volta das 11h20. Depois de uma entrevista coletiva, o governador e o prefeito Eduardo Paes deixaram o local juntos em uma van sob protestos de moradores. Havia faixas e cartazes pedindo melhorias para a região. Não houve registro de tumulto. MAIS

O chefe do Executivo fluminense afirmou ainda que vai solicitar uma perícia externa de forma a complementar o trabalho dos técnicos da Cedae.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), também visitou o local do acidente. "O primo da Isabela era meu assessor. (...) É uma situação muito triste. Vamos tentar dar toda a ajuda possível a essas pessoas", limitou-se a dizer.

Água jorrando por uma hora e meia

O rompimento da adutora, cujas circunstâncias ainda estão sendo investigadas, fez com que a água ficasse jorrando por aproximadamente uma hora e meia --o vazamento teve início durante a madrugada e só cessou por volta das 7h30.

Bombeiros designados para o trabalho de resgate informaram que a água chegou a dois metros de altura dentro das casas. Quatro carros da corporação e duas ambulâncias foram encaminhados ao local --houve relatos de moradores ilhados nas casas.

Veja o local do acidente

Por volta das 5h40, um morador detectou um vazamento e fez o comunicado à Cedae, de acordo com o gerente regional do órgão, Almir Silva. O acidente ocorreu por volta das 6h.

Silva afirmou que não seria prudente fechar toda a estrutura de distribuição de água de uma só vez, pois havia risco de que a pressão da água provocasse danos à rede de encanamento. Das 6h25 às 7h, a Cedae paralisou o serviço de forma gradativa a fim de evitar mais estragos, segundo o gerente.

Ainda segundo o representante do órgão, outras três adutoras passam pela região da estrada do Mendanha. O rompimento ocorreu na altura do número 4.500 da rodovia, e a estrada do Medanha, que liga o bairro à avenida Brasil, foi interditada no trecho.

RELATOS

A mãe da vítima Isabela Severo da Silva, Rebeca Severo, disse que buscou ajudar a filha a se refugiar na cada de um vizinho, pulando o muro, mas a parede acabou desabando em virtude da força da água e caindo sobre a vítima.


"De repente, eu vi que a chuva não ia passar, não era chuva. Olhamos para as casas, as casas todas caindo, resolvemos sair", afirmou o mecânico Agilson Silva, resgatado com ferimentos nas pernas e no rosto.

De acordo com a Cedae, não haverá desabastecimento de água no local. O fornecimento de energia elétrica foi cortado para evitar acidentes. Na versão do diretor da Cedae, Jorge Briard, a previsão é que a adutora volte a funcionar durante a noite.

"Essa tubulação não tem nenhum histórico de vazamento. Esse foi um acidente pontual e não tem nenhuma relação com a manutenção", afirmou Briard. "Técnicos estão investigando o que aconteceu. O governo do Estado vai ressarcir integralmente os danos dos moradores, mantê-los abrigados em hotéis e, se for necessário, dar medicação e alimento."

Em entrevista à Globo News, o especialista em gerenciamento de risco Moacyr Duarte disse que "é preciso se atentar para o deslocamento de terra que é causado pelo alagamento. Evitar consequências mais graves é a maior preocupação do Corpo de Bombeiros no momento, dado o número de moradores ainda ilhados nas casas". (Com Agência Brasil)

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