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Coreia do Norte não será aceita como potência nuclear, afirma John Kerry

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, desembarca no aeroporto militar na Coreia do Sul - Lee Jin-man/AP
O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, desembarca no aeroporto militar na Coreia do Sul Imagem: Lee Jin-man/AP

Do UOL, em São Paulo

12/04/2013 07h31Atualizada em 12/04/2013 09h49

Em visita à Coreia do Sul, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou nesta sexta-feira (12) que a Coreia do Norte "não será aceita como uma potência nuclear". A informação é da rede de TV americana "CNN".

Em pronunciamento feito em Seul, Kerry também afirmou que a retórica do país comunista é "inaceitável" e que os Estados Unidos farão tudo que for possível para proteger a si mesmo e a seus aliados.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, também pediu hoje em Seul que a Coreia do Norte termine com suas provocações, que significam "uma séria ameaça para a paz, a segurança e a estabilidade regional e internacional". "A Coreia do Norte mantém um desafio constante à vontade da comunidade internacional. Eu peço às autoridades norte-coreanas que acabem imediatamente com as medidas desestabilizadoras e sua busca de armas de destruição em massa", disse

John Kerry chegou hoje a Seul para se reunir com autoridades do país, em um ambiente marcado pela tensão em torno das constantes ameças de guerra e de um possível teste de mísseis por parte da Coreia do Norte.

Kerry, que visita pela primeira vez a Coreia do Sul como secretário de Estado, viaja nos próximos dias para a China e o Japão, no que parece ser uma nítida tentativa de conseguir que essas nações firmem o compromisso de pressionar Pyongyang a interromper as recentes hostilidades contra a Coreia do Sul e garantir a estabilidade na península coreana.

O arsenal norte-coreano

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Coreia do Norte tem capacidade nuclear contestada

O ministério sul-coreano da Defesa manifestou nesta sexta-feira suas "dúvidas" sobre a capacidade da Coreia do Norte de lançar um míssil balístico nuclear, como ameaça Pyongyang. "A Coreia do Norte realizou três testes nucleares, mas duvidamos que os norte-coreanos tenham fabricado uma ogiva nuclear suficientemente pequena e leve para ser montada em um míssil", declarou o porta-voz do ministério, Kim Min-Seok.

O Pentágono também diz não acreditar que Pyongyang tenha desenvolvido capacidade para montar e lançar um míssil nuclear.

A avaliação feita por norte-americanos e sul-coreanos contrasta com a última conclusão da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA (DIA, na sigla em inglês), divulgada na quinta-feira (11) pelo congressista republicano Doug Lamborn na Câmara dos Representantes.

A DIA "acredita com confiança moderada que a Coreia do Norte pode transferir armas nucleares a mísseis balísticos, mas sua confiabilidade seria baixa", assegurou Lamborn, em referência a um relatório confidencial sobre o potencial risco nuclear da Coreia do Norte distribuído a membros do Governo e congressistas.

Tensão na península coreana

A tensão na península é grande desde dezembro, quando o Norte realizou com sucesso um lançamento de foguete, considerado pelos Estados Unidos e a Coreia do Sul como um disparo de teste de míssil balístico.

Entenda o conflito entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul

  • Reprodução/AFP

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Em fevereiro, Pyongyang executou um terceiro teste nuclear, o que provocou a adoção, no início de março, de novas sanções pelo Conselho de Segurança da ONU.

Em protesto contra as manobras militares conjuntas realizadas por Coreia do Sul e Estados Unidos em território sul-coreano, o governo do Norte declarou nulo o armistício que interrompeu a guerra da Coreia em 1953 e ameaçou com um "ataque nuclear preventivo" contra alvos sul-coreanos e americanos.

No dia 30 de março, Pyongyang anunciou que se encontrava em "estado de guerra" com a Coreia do Sul, depois de ter rompido todas as comunicações diretas entre os governos e os exércitos dos dois países no dia 27.

Os governos da Coreia do Sul e Estados Unidos já alertaram Pyongyang sobre as severas repercussões de qualquer agressão. (Com agências internacionais)