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Prefeitura de Fortaleza não fornece medicamento para parkinson há mais um mês

Angélica Feitosa

do UOL, em Fortaleza

31/07/2012 19h44

Um medicamento que ajuda no tratamento da doença de Parkinson não é fornecido pela prefeitura de Fortaleza há mais de um mês. O remédio é essencial para a manutenção de funções mais básicas do paciente e, sem a distribuição, as pessoas com a doença precisam desembolsar cerca de R$ 70 por caixa – ou ficar sem tomar. A média de uso é de quatro delas por mês.

O marido de Efigênia Maria de Oliveira Andrade, 55, Manoel Barbosa de Andrade, 66, toma o medicamento há dois anos e sempre os recebeu nos Postos de Saúde, com a receita médica da prefeitura. O aposentado precisa uma caixa por semana e, com a falta do fornecimento, a família precisou, durante os meses de maio e junho, desembolsar R$ 560, no total, para tomar os remédios nos meses seguintes.

“O medicamento já está acabando e não sei o que fazer”, conta Efigênia Andrade. Antes da doença do marido, ela trabalhava como auxiliar de serviços gerais, mas precisou deixar o emprego em função do agravamento dos sintomas. “A gente deixa de pagar umas contas, fica devendo algumas coisas, mas a gente sabe que não se pode brincar com a doença”, aponta. A dona de casa considera a ação da prefeitura “um desrespeito contra o cidadão”.

O médico psiquiatra Fábio Gomes Matos e Souza informa que, por ser uma doença crônica, o parkinson não tem cura, mas sim um controle. Isso exige do paciente um acompanhamento contínuo com medicamentos. “A doença é uma disfunção de um neurotransmissor, a dopamina. Ninguém sabe ainda porque a doença existe, mas ela causa problemas nas articulações, dificuldades motoras, tremores nas mãos, problemas no caminhar, que são agravados de forma contínua”. Segundo o médico, a falta do remédio pode ter consequências irreversíveis.

“O tratamento tenta diminuir os sintomas. Sem a droga, o paciente pode avançar muito na doença, ficar cada vez mais difícil para ele exercer funções simples. E pior, não há como ele voltar ao estágio inicial”, alerta. O médico classifica como “terrível” a falta do fornecimento do medicamento. “Você não pode de maneira nenhuma deixar de prescrever essa substância”.

A Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza afirmou, em nota, que a empresa responsável pela distribuição do medicamento apresentou irregularidades em documentos apresentados na licitação para a compra do remédio. Por conta disso, a aquisição não foi liberada. A secretaria informou, ainda, que foi feito o pedido de dispensa de licitação para que os medicamentos sejam adquiridos. No entanto, não há previsão para a chegada do remédio.