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Corrupção no PSDB: o que têm a dizer FHC e Moro?

Serra, FHC e Aécio juntos em manifestação em 2014 - Marlene Bergamo-14.jun.2014/Folhapress
Serra, FHC e Aécio juntos em manifestação em 2014 Imagem: Marlene Bergamo-14.jun.2014/Folhapress
Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

22/07/2020 14h44

Denúncias de corrupção contra tucanos de alta plumagem são sempre assim: fazem rápidas aparições no noticiário, e logo desaparecem.

Ao contrário do que acontecia com o PT no auge da Lava Jato, quando Sergio Moro foi promovido pela mídia amiga a herói nacional, os casos mais recentes envolvendo os ex-governadores tucanos Geraldo Alckmin e José Serra não provocam grandes repercussões, com declarações indignadas de arautos do combate à corrupção (dos outros) e extensa cobertura no Jornal Nacional.

Uma aura de mistério sempre envolve a corrupção no PSDB, em que se fala mais de quem paga do que de quem recebe a propina do caixa dois.

Sempre tão falantes e eloquentes quando se trata de dar entrevistas sobre acusações contra Lula e o PT, dois personagens midiáticos ainda não deram o ar da graça para comentar as últimas denúncias contra Alckmin e Serra: Fernando Henrique Cardoso e Sergio Moro.

Patrono do partido, o ex-presidente FHC sumiu de cena. Não apareceu nem para cumprir tabela na defesa dos seus ex-correligionários.

Ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro de Bolsonaro, Moro também achou por bem ficar longe desse assunto, que é a sua especialidade. Está mais preocupado em se posicionar para 2022, bem longe do governo e de bolas divididas.

Nos seus cálculos, deve disputar o eleitorado tucano que ficou órfão com o próprio Bolsonaro, que já está em campanha pela reeleição.

Por isso, achou melhor falar hoje de mais um motivo para ter deixado o governo: não concordava com a posição do presidente sobre o combate à pandemia.

Curioso que ele não se manifestou sobre este tema quando era ministro da Justiça e ficou mudo durante a célebre reunião com Bolsonaro no dia 22 de abril.

O próprio Serra não apareceu até hoje para falar sobre o conjunto de denúncias de corrupção feitas pela Justiça contra ele e sua filha Verônica, com ramificações na Suíça e em outros paraísos fiscais. .

Limitou-se a divulgar duas notas da sua assessoria negando tudo e acusando os investigadores de fazer "espetacularização" sobre casos antigos.

A única informação sobre o senador é que ele está fazendo um tratamento de saúde num spa no interior de São Paulo.

Alckmin, o "Santo" das planilhas da Odebrecht, deu algumas entrevistas para se defender e, até onde se sabe, está cuidando do programa de governo do prefeito Bruno Covas na campanha para a reeleição.

Sobre Aécio Neves, que foi pego em flagrante recebendo dinheiro de Joesley Batista, da JBS, não se teve mais notícia.

Quando se trata de tucanos, o buraco é mais embaixo.

Vida que segue.

Balaio do Kotscho