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Balaio do Kotscho

Apoio de Bolsonaro derruba candidaturas de Russomanno e Crivella

Desidratado: Bênção do presidente não deu o refresco esperado para Russomanno, que vê a campanha ir ladeira abaixo, como em 2012 e 2016 - ALOISIO MAURICIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Desidratado: Bênção do presidente não deu o refresco esperado para Russomanno, que vê a campanha ir ladeira abaixo, como em 2012 e 2016 Imagem: ALOISIO MAURICIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

23/10/2020 12h24Atualizada em 23/10/2020 16h39

No começo da semana, o presidente Bolsonaro mandou dois ministros a São Paulo, Fabio Wejngarten e Ricardo Salles (logo quem!) para tentar salvar a candidatura de Celso Russomanno.

Era tarde demais. O candidato do Republicanos (leia-se Igreja Universal e Record do bispo Macedo) entrou novamente em parafuso, como já aconteceu nas duas campanhas anteriores, em 2012 e 2016, quando começou liderando as pesquisas e acabou não indo nem para o segundo turno.

A 20 dias da eleição, nova pesquisa Datafolha mostra o derretimento do apresentador de TV e deputado federal: Russomanno caiu de 27% para 20% e já foi ultrapassado pelo tucano Bruno Covas, atual prefeito, que subiu de 21% para 23%.

O mais impressionante nessa pesquisa é o aumento da rejeição do candidato dos evangélicos, que pulou de 21% em setembro para 38% agora, depois de receber o apoio do presidente Bolsonaro, o grande cabo eleitoral da sua campanha.

Não era para menos: segundo o Datafolha, a rejeição dos eleitores de São Paulo a Bolsonaro é de 46%, o que mostra que Russomanno ainda pode crescer bastante nesse quesito.

Ex-vice de João Doria, que deixou a prefeitura com um ano e pouco de mandato para se candidatar a governador, Bruno Covas, ao contrário de Russomanno, esconde seu padrinho, que até agora não apareceu na campanha do tucano. Doria tem 39% de rejeição na capital paulista.

Lá vem o Boulos

A queda brusca do chefe da "Patrulha do Consumidor" assustou Covas, que viu ao mesmo tempo o candidato da esquerda, Guilherme Boulos, do PSOL crescer cinco pontos em um mês, chegando a 14%, empatado tecnicamente com Russomanno, no limite da margem de erro.

Mantido esse cenário, Boulos pode chegar ao segundo turno surfando no voto útil da oposição, já que o candidato petista, Jilmar Tatto, está empacado nos mesmos 4% que registrou no Ibope da semana passada.

Com apenas 17 segundos no programa eleitoral, contra os mais de 3 minutos de Covas, Boulos cresce no embalo das redes sociais, onde ele lidera por larga margem de seguidores, crescendo principalmente na faixa dos eleitores mais jovens.

Bispo Crivella patina no Rio

Não é mais favorável a situação de outro candidato evangélico apoiado por Bolsonaro no Rio. O bispo prefeito Marcello Crivella (Republicanos) está agora empatado em segundo lugar com a delegada Marta Rocha, do PDT, ambos 13 pontos atrás do líder Eduardo Paes, do DEM.

Logo atrás, vem a petista Benedita da Silva, que subiu para 10%, tecnicamente empatada com o bispo Crivella e a delegada Rocha.

Assim como Covas, Paes também prefere enfrentar no segundo turno o candidato de Bolsonaro, já que a esquerda no Rio, embora dividida, costuma crescer na reta final da campanha. Renata Souza, do PSOL, subiu para 5%

Além do presidente, Crivella conta também com o apoio dos filhos e de toda a família Bolsonaro, que se albergou no Republicanos, depois de fracassar na tentativa de criar um partido próprio.

E o Trump, hein?

A se confirmar a derrocada dos candidatos bolsonaristas no Rio e em São Paulo, Bolsonaro pode aumentar sua fama de pé-frio como cabo eleitoral, depois de ver seus candidatos derrotados este ano na Argentina e na Bolívia, e correndo sério risco de ficar sem o amigo Donald Trump nos Estados Unidos.

Bom final de semana.

Vida que segue.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.