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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Após denúncias, TCU pede investigação sobre combate a assédio na Caixa

O presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Duarte Guimarães ministra palestra no auditório da Sede Fundação Getúlio Vargas(FGV)  - Tomaz Silva/Agência Brasil
O presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Duarte Guimarães ministra palestra no auditório da Sede Fundação Getúlio Vargas(FGV)
Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

29/06/2022 15h48Atualizada em 29/06/2022 16h11

O TCU (Tribunal de Contas da União) pediu hoje a órgãos de controle a abertura de investigação sobre o combate a assédio na Caixa Econômica Federal, após a veiculação de denúncias de suposto assédio sexual, que teria sido cometido pelo presidente do banco, Pedro Guimarães.

O assédio no ambiente de trabalho é tema de grande relevância que precisa ser mais bem enfrentado no âmbito da administração pública, uma vez que, além dos efeitos danosos à vítima, ainda ocasiona prejuízos à instituição e à sociedade. Entidades de fiscalização superior, como o Tribunal de Contas da União, não só podem como devem efetivamente atuar para a construção de um sistema eficaz de prevenção e combate ao assédio nos órgãos e entidades públicas"
Trecho de documento do TCU

"Nesse contexto, tendo em vista as recentes notícias veiculadas na imprensa, sobre denúncias de assédio no âmbito da Caixa Econômica Federal, que envolvem o Presidente da instituição, considero pertinente que este Tribunal realize ação de controle para avaliar o grau de maturidade dos instrumentos e das práticas de que esse banco público dispõe para prevenir e punir casos de assédio", acrescenta o documento, assinado pela presidente do TCU, Ana Lúcia Arraes de Alencar.

Pedro Guimarães é presidente da Caixa desde o início do atual governo. O chefe da estatal é presença frequente em eventos ao lado de Jair Bolsonaro (PL), além de participar várias vezes da live semanal do mandatário.

Nesta quarta (29), ele rebateu as denúncias durante participação de um evento da Caixa que inicialmente havia sido cancelado, após as denúncias serem divulgadas. Ele compareceu à cerimônia acompanhado da mulher, Manuella Pinheiro Guimarães.

Quero agradecer a presença de todos vocês, da minha esposa. São quase 20 anos juntos, dois filhos e uma vida inteira pautada pela ética. Tanto é verdade que, quando eu assumi o banco, ele tinha os piores ratings [classificações] das estatais. [Foram] dez anos de balanços com ressalvas. E hoje a gente é um exemplo. Então tenho orgulho do trabalho de todos vocês e da maneira como eu sempre me pautei em toda a minha vida"
Pedro Guimarães, em evento

Durante o dia de ontem, políticos foram às redes sociais para pedir a investigação de Guimarães pelos supostos assédios, divulgados inicialmente pelo site de notícias "Metrópoles". O MPF (Ministério Público Federal) abriu investigação para o caso.

Em meio a pressão pública, Bolsonaro decidiu escolher uma mulher para substituir o executivo no comando da Caixa: Daniella Marques, atual secretária especial de Produtividade e Competitividade e parceira de longa data do ministro da Economia, Paulo Guedes. (Saiba mais clicando aqui)

A decisão ocorreu em uma reunião na manhã de hoje no Planalto. A informação foi confirmada pela coluna junto a três fontes próximas a Guimarães, que ainda não deixou o cargo oficialmente.

Entenda as denúncias

As denúncias, que incluem toques íntimos não autorizados, abordagens inadequadas e convites incompatíveis à relação de trabalho, começaram a surgir no fim do ano passado. Todas as mulheres que falaram ao site Metrópoles, sem que seus nomes fossem divulgados, trabalham ou trabalharam em equipes que atendem diretamente ao gabinete da presidência da Caixa.

As cinco entrevistadas disseram que se sentiram abusadas em diferentes ocasiões, e sempre em compromissos de trabalho. Os casos aconteceram, muitas vezes, em viagens relacionadas ao programa Caixa Mais Brasil.

Segundo relato, o presidente do banco escolhe, preferencialmente, "mulheres bonitas" para as comitivas nas viagens. De acordo com Ana*, uma das funcionárias que denunciaram o assédio, o comunicado de escolha é como um prêmio.

Outra prática comum, segundo as funcionárias, é que mulheres que despertam a atenção de Guimarães durante as viagens sejam chamadas para atuar em Brasília, muitas vezes promovidas hierarquicamente sem preencher requisitos necessários. A prática deu, inclusive, origem a uma expressão usada para se referir a elas: "disco voador".

Em contato com o UOL, o Ministério da Economia disse que não irá se manifestar sobre o caso.

Em nota, a Caixa afirma que "não tem conhecimento das denúncias apresentadas pelo veículo e que adota medidas de eliminação de condutas relacionadas a qualquer tipo de assédio". Ainda no texto enviado ao UOL, a instituição diz que "o banco possui um sólido sistema de integridade, ancorado na observância dos diversos protocolos de prevenção, ao Código de Ética e ao de Conduta, que vedam a prática de 'qualquer tipo de assédio, mediante conduta verbal ou física de humilhação, coação ou ameaça'".