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Carlos Madeiro

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Estudo acha crocodilo que emitia sons e era comida de dinossauros no Brasil

Pesquisadores brasileiros publicaram nesta sexta-feira (14) um estudo na revista científica internacional "Historical Biology" apresentando uma espécie inédita de crocodilo que viveu no Período Cretáceo no interior paulista e do Triângulo Mineiro, o Caipirasuchus catanduvensis.

Esse pequeno crocodilo, com cerca de 1,20 metro de comprimento, se distingue de outros da espécie Caipirasuchus porque era capaz de produzir sons. Isso foi visto após uma ressonância feita no crânio do fóssil, indicado que ele tinha câmaras de ressonância associadas às vias aéreas.

Eles têm dentro do crânio esse aparato associado à cavidade nasal, que permitia com que ele produzisse sons ressonantes. Isso indica que possivelmente ele produzia sons, como outros animais na atualidade fazem, para se comunicar entre si.
Aline Ghilard, paleontóloga e pesquisadora da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)

Esses sons, diz Aline, poderiam servir para alertar sobre predadores e atrair parceiros.

Ele é diferente das outras espécies de Caipirasuchus justamente por isso. E como ele era o alvo favorito dos grandes predadores da época, essa pode ter sido uma forma que ele encontrou de se comunicar, de alertar sobre perigos no passado.
Aline Ghilard

Crânio e ossos do Caipirasuchus catanduvensis
Crânio e ossos do Caipirasuchus catanduvensis Imagem: Arquivo pessoal

Mais detalhes

O crocodilo caipira, como é chamado, viveu por aqui há cerca de 85 milhões de anos, época em que conviveu com outras espécies e grandes dinossauros. Segundo a pesquisa, eles eram animais de hábitos terrestres e se alimentavam de plantas.

O nome de batismo tem explicação, já que ele foi achado junto com fósseis em 2011 durante a duplicação da SP-351, a rodovia da Laranja. Nas obras, uma grande quantidade de rocha foi removida para a construção de uma ponte em um dos trevos de acesso à cidade de Catanduva (SP).

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Os blocos removidos de rocha trouxeram vários fósseis, que foram identificados como restos de conchas, peixes, anuros (da classe sapos, rãs e pererecas), tartarugas, crocodilos e dinossauros.

Local onde foi achado o fóssil do Caipirasuchus catanduvensis
Local onde foi achado o fóssil do Caipirasuchus catanduvensis Imagem: Arquivo pessoal

Com ele, agora são seis espécies de Caipirasuchus descobertas:

  • As duas primeiras foram achadas em Monte Alto (SP)
  • Duas outras são da região de General Salgado (SP)
  • Uma outra viveu no município de Iturama (MG)

Aline conta que que a espécie se diferencia por outros aspectos anatômicos da morfologia craniana, em relação a outras espécies do mesmo gênero.

A pesquisadora explica que a descoberta o crocodilo caipira é importante para a ciência porque aumenta a diversidade de crocodilos fósseis do final do período Cretáceo no Brasil.

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Para ela, isso prova que a região do interior de São Paulo e do Triângulo Mineiro eram extremamente ricas paleontologicamente no passado. "Não eram só os dinossauros que dominaram por ali, mas também vários desses organismos da linhagem dos crocodilos."

Esses crocodilos pequenininhos, que são encontrados em rochas do cretáceo do Brasil, representam a ponta do iceberg de uma diversidade grande de espécies de crocodilos que existiam na era dos dinossauros nessa época, e os Caipirasuchus eram literalmente comida de dinossauros e de outros crocodilos.
Aline Ghilard

Além de Aline, o estudo é assinado ainda por Fabiano, do Museu de Paleontologia Pedro Candolo e Museu de Paleontologia Prof. Antonio Celso de Arruda Campos; Marcelo Fernandes, da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e Willian Dias.

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