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Carolina Brígido

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

"É lamentável", diz Marco Aurélio sobre mortos pela polícia no Rio

Carolina Brígido

Escreve sobre Judiciário, especialmente o STF, desde 2001. Participou da cobertura do mensalão, da Lava-Jato e dos principais julgamentos dos últimos anos. Foi repórter e analista do jornal "O Globo" de 2001 a 2021. Foi colunista a revista "Época" de 2019 a 2021.

Colunista do UOL

06/05/2021 18h44

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), lamentou nesta quinta-feira (6) as mortes decorrentes da ação policial na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. Segundo estudo da UFF (Universidade Federal Fluminense), é a operação mais letal da história do Rio, com ao menos 25 mortos. Embora discorde da atitude da polícia muitas vezes chegar atirando, Marco Aurélio defende que a polícia continue realizando operações nas comunidades para garantir o combate ao tráfico de drogas.

"É lamentável que tenha acontecido. É um problema sério, porque quando o Estado não ocupa espaço, a bandidagem acaba ocupando. Aí é a lei do cão. Prefiro estar sob a lei do Estado", disse à coluna.

Para Marco Aurélio, é preciso combater as causas do problema, com o fornecimento de saúde e educação pelo poder público. Ele afirmou que o consumo de drogas é o verdadeiro responsável pelo tráfico. E se impressionou com a quantidade de cocaína apreendida no Jacarezinho. "Foram apreendidas quatro toneladas de cocaína! O que é isso? Agora, tem clientela para consumir. Quem consome sustenta o tráfico", declarou.

Fotos e vídeos de corpos de vítimas da operação circulam nas redes sociais. Em uma delas, é possível ver um morto acomodado em uma cadeira de plástico. Diante da alta letalidade e das denúncias de violações de direitos humanos feitas por moradores, representantes da UFF, da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio, da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) e da Defensoria Pública do Estado acompanham o caso e cobram explicações da Polícia Civil.

O ministro condenou as mortes na favela, mas afirmou que não é possível deixar de reprimir o crime. "Não se pode evitar que haja investigação, que haja repressão. Tem muita gente de bem que mora nas comunidades, o Estado não pode se omitir", disse. "Entrar atirando não pode, mas é preciso revidar os tiros. A bandidagem esta muito bem armada, às vezes mais que a policia. É difícil criticar a polícia repressiva, vamos chegar ao meio termo sopesando valores", concluiu.

No ano passado, o ministro Edson Fachin suspendeu as operações policiais em comunidades do Estado do Rio de Janeiro enquanto durar o estado de calamidade pública decorrente da pandemia. Segundo a decisão, operações devem ser restritas a casos excepcionais, informadas e acompanhadas pelo Ministério Público.

Nesta quinta-feira, Fachin incluiu na pauta de julgamento do plenário virtual do STF um recurso em que o PSB pede para o tribunal esclarecer a amplitude da decisão sobre a elaboração do plano de redução da letalidade policial. Para o partido, o esclarecimento é necessário para que o governo do Rio elabore o plano.