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Chico Alves

Alta de alimentos mostra que Bolsonaro não entende mesmo nada de economia

Presidente Jair Bolsonaro                        -                                 CAROLINA ANTUNES/PR
Presidente Jair Bolsonaro Imagem: CAROLINA ANTUNES/PR
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

19/09/2020 11h13

Volta e meia Jair Bolsonaro lembra aos brasileiros que não entende nada de economia. Nem precisava se dar ao trabalho de repetir isso: não há quem duvide. Em várias oportunidades o presidente deu mostras de sua ignorância em assunto tão fundamental para o país.

A última delas aconteceu no início do mês, quando Bolsonaro, diante das reclamações generalizadas pelo aumento do arroz e outros gêneros alimentícios, dirigiu-se a comerciantes e distribuidores apelando ao sentimento nacional.

"Estou pedindo um sacrifício, um patriotismo, para os grandes donos de supermercados, para manter o preço na menor margem de lucro", disse, então.

Obviamente, o apelo deu em nada.

Como mostra a matéria do jornalista Hygino Vasconcellos, do UOL, um dos principais motivos da alta dos alimentos é a barbeiragem do próprio governo, que não fez estoques reguladores de vários gêneros. É dessa forma, despejando nos mercados o arroz, o feijão ou o milho em tempos de escassez, que as autoridades ajudam de forma efetiva a baixar o preço da comida.

O Ministério da Agricultura seguiu a tendência que se verifica desde 2015 e não tomou essa providência. Deixou que a armazenagem de vários itens baixasse perigosamente. Jogou com a sorte e perdeu. Quem paga a aposta agora são os brasileiros que têm que gastar muito mais em gêneros de primeira necessidade.

O arroz é um bom exemplo disso. Há dez anos, o governo tinha em estoque 1 milhão de toneladas do produto e hoje não tem mais que 21 mil toneladas.

Diante da crise, começou a temporada de bravatas das autoridades. A ministra Tereza Cristina garantiu que o governo faria baixar os preços do arroz. Como se vê, isso não aconteceu. Em declaração posterior, a ministra emendou que a baixa virá com a próxima safra - só em janeiro.

Foi pouco antes de Tereza Cristina dar essa bola fora que Bolsonaro apelou para que os comerciantes trocassem o lucro pelo patriotismo. Como era de se esperar, o pedido não serviu para nada além de confirmar algo que o Brasil inteiro já sabia: o presidente não entende nada de economia

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.