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Chico Alves

Articulação de Moro e Huck para 2022 será desafio para ego dos políticos

19.abr.2017 - O ex-juiz federal Sergio Moro, ao lado do apresentador Luciano Huck, em solenidade comemorativa ao Dia do Exército no Setor Militar Urbano em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress
19.abr.2017 - O ex-juiz federal Sergio Moro, ao lado do apresentador Luciano Huck, em solenidade comemorativa ao Dia do Exército no Setor Militar Urbano em Brasília Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

09/11/2020 15h10

Há muitas possibilidades de análise sobre a articulação que Sergio Moro e Luciano Huck empreendem para viabilizar uma chapa com chances de disputar a Presidência em 2022. Fora do espectro meramente político e econômico, um viés interessante a ser seguido para tentar prever o que acontecerá é o psicológico. Saem Hobbes e Smith, entram Freud e Jung.

Basta verificar os nomes envolvidos ou especulados para integrar esse grupo. Além de Moro e Huck, foram citados Luiz Henrique Mandetta, Hamilton Mourão, João Doria e João Amoêdo. Cada um deles, em algum momento recente, cogitou ou foi cogitado como cabeça de chapa na próxima eleição presidencial.

Por um bom período do ano passado, Moro era dado como certo na corrida ao Planalto em 2022. Huck pensou em concorrer em 2018, mas desistiu. Doria ainda se considera presidenciável, apesar de não decolar nas pesquisas nacionais. Mourão mantém o silêncio que suas condições de general e vice-presidente exigem, mas também é tido como possível candidato .De tão presidenciável, Mandetta chegou a frequentar pesquisas de intenção de voto há três meses. Amoêdo, candidato em 2018, é o de menor cacife, mas também sonha com a faixa.

Confrontados com seu objetivo maior, quais desses personagens aceitariam candidamente abrir mão de tentar chegar à Presidência para apoiar outro?

O ex-juiz antecipou-se e disse que não necessariamente teria que aparecer na cédula eleitoral. Mandetta afirmou à coluna que é cedo para decidir sobre nomes. Entre a palavra e o ato, porém, há uma enorme distância.

Sempre pode-se apostar no tradicional recurso de acompanhar as pesquisas eleitorais para decidir a questão no limite do prazo de oficialização da candidatura. Mas não é tão simples.

Para dominar o ego de tantos caciques, recomenda-se que o grupo político deixe de sobreaviso uma boa equipe de psicanalistas e psicólogos. Certamente será muito útil.