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Chico Alves

Bolsonaristas fracassam nas urnas e Bolsonaro depende ainda mais do Centrão

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante cerimônia no Palácio do Planalto (22/10/2020) - Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante cerimônia no Palácio do Planalto (22/10/2020) Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

16/11/2020 15h37

Dos 12 prefeitos que Jair Bolsonaro apoiou nas eleições municipais, somente quatro se elegeram ou foram para o segundo turno. Seus apoiadores mais radicais, que se autoclassificam como conservadores, mas são na verdade de extrema-direita, tiveram votação pífia.

Desde que surgiram os primeiros resultados, os extremistas puseram-se no Twitter a choramingar. "O que houve com os conservadores? Erramos, nos pulverizamos ou sofremos uma fraude monumental?", tuitou a deputada Carla Zambelli (PSL-SP)

Se o bolsonarismo foi derrotado, o presidente pode se consolar com seus mais recentes aliados. Partidos do Centrão tiveram excelente performance nas urnas. O Progressistas foi o segundo partido em número de prefeitos.

O problema dessa equação é que Bolsonaro fica cada vez mais dependente do Centrão.

Tanto para tocar os projetos do governo, quanto para as pretensões eleitorais de 2022, o presidente tem agora os liderados de Arthur Lira (PP-AL) como principal esteio.

Essa aproximação já causou muitos problemas com o bolsonarismo raiz e também não é vista com bons olhos pela ala militar do governo.

Aquele Bolsonaro que se elegeu fazendo os piores comentários sobre o Centrão e prometeu não ceder ao toma-lá-dá-cá, já se sabe, definitivamente não existe mais.

Nos pouco mais de dois anos que lhe restam de governo deverá aprofundar essa dependência.

O presidente descobriu ontem que seus cães de guarda podem rosnar muito nas redes sociais, mas nas urnas já não fazem mal a ninguém.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.