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Chico Alves

Crivella protagoniza quinta sem lei e revela seu lado nada celestial

20.nov.2020 - O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) em debate realizado na quinta-feira com o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), no 2º turno das eleições para a Prefeitura do Rio - Paulo Belote/Band
20.nov.2020 - O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) em debate realizado na quinta-feira com o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), no 2º turno das eleições para a Prefeitura do Rio Imagem: Paulo Belote/Band
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

20/11/2020 04h00

A fenomenal vantagem de 42% de votos válidos que pesquisas atribuem a Eduardo Paes sobre Marcelo Crivella, no segundo turno da eleição do Rio, parece ter deixado desorientado o atual prefeito. Crivella protagonizou ontem uma quinta sem lei ao fazer de tudo um pouco para contrariar os princípios religiosos que diz seguir.

Dois vídeos vieram à tona em que o prefeito, conhecido pelo comportamento comedido e pela voz pastosa, aparece completamente descontrolado.

Em um deles, aos berros, reclama a uma plateia de colaboradores de problemas com as organizações sociais que atuam na área da saúde. A certa altura, surpreendentemente, afirma que uma dessas OSs pertence ao governador de São Paulo e passa a xingar João Doria. "Viado! Vagabundo!".

Um pouco mais tarde, outro vídeo estrelado por Crivella circulou nas redes sociais. Em entrevista ao deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), o prefeito disse que o PSOL está apoiando Paes porque fez um acordo para ter a Secretaria de Educação. A seguir, comenta: "Agora você imagina... pedofilia nas escolas". Otoni se faz de assombrado: "Meu Deus do céu!".

Tanto Crivella quanto o deputado serão processados por causa da afirmação fake, garante o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ). "Ele é o pior prefeito da história do Rio",criticou Freixo.

Por fim, à noite, no debate televisivo da Band, Crivella voltou a expelir sandices. Chamado pelo seu adversário na eleição de "pai da mentira", o prefeito respondeu como se fosse uma criança da quarta série: "E você é a madrinha da mentira". Disse ainda que Eduardo Paes iria transformar o " canguru perneta" em política pública.

Em vários momentos dessa quinta sem lei o prefeito foi risível. Na maior parte do tempo, porém, despertou asco, por mostrar-se capaz de fazer qualquer coisa para tentar se reeleger. Do comentário homofóbico à acusação mentirosa contra os psolistas, Crivella revelou sua faceta nada celestial.

Bispo licenciado da Igreja Universal, ele fez questão de misturar política e religião durante a atual campanha, através da retórica utilizada e dos louvores que se repetiram no horário de propaganda. Nas últimas 24h, no entanto, não tem agido como alguém que busca um lugar no céu. Muito pelo contrário.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.