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Chico Alves

REPORTAGEM

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Para associação, ministro da Justiça terá que lidar com insatisfação da PF

Edvandir Paiva - Divulgação
Edvandir Paiva Imagem: Divulgação
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

07/04/2021 04h00

Tanto o novo ministro da Justiça, Anderson Torres, quanto o novo diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, terão que administrar uma grande insatisfação na corporação. A afirmação é do presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, que explicou à coluna o motivo da tensão.

"Os dois serão muito demandados com relação à reforma administrativa, que é um grande retrocesso", diz Paiva."Entre outras coisas, cria a figura do delegado trainee, que é um delegado provisório. Isso não tem chance de dar certo".

Além disso, o presidente da ADPF destaca que a segunda fase da reforma resultaria em menor remuneração. "Ao deixar a carreira com menos competitividade em relação às outras., como a PF vai trazer os melhores perfis, os melhores profissionais? Isso vai acarretar perda técnica para PF", diz ele.

Paiva diz que a categoria foi prejudicada com a reforma da Previdência e com a PEC Emergencial, enquanto outras, como os militares das Forças Armadas, foram privilegiadas. Por isso, protestos como o dos delegados do Rio de Janeiro, que divulgaram manifesto ameaçando colocar seus cargos à disposição, podem se espalhar pelo país.

"Se a reforma traz mais precarização e permite ao presidente mexer na Polícia Federal por decreto, estamos indo por um caminho totalmente equivocado", avalia o dirigente da associação. "Um caminho de prejudicar uma instituição de Estado que a todo momento está fazendo investigação que incomoda o governo da vez".

Para ele, seria o fim da PF como a conhecemos hoje. Segundo Paiva, se for permitida a entrada de pessoas que não são policiais de carreira, com contato político, "não há instituição que aguente".

"O ministro e o diretor-geral vão ter que mexer nesses temas ou então vão enfrentar uma insatisfação muito grande dentro da Polícia Federal", prevê o presidente da ADPF.