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Chico Alves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

TCU desmente Pazuello e diz que app foi criado para prescrever cloroquina

20.mai.2021 - O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante depoimento à CPI da Covid - Leopoldo Silva/Agência Senado
20.mai.2021 - O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante depoimento à CPI da Covid Imagem: Leopoldo Silva/Agência Senado
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

31/07/2021 04h00

Análise feita por auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que o aplicativo TrateCov, usado em Manaus para auxiliar na identificação de casos de covid-19, não foi adulterado por hacker, como alegou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello à CPI da Covid. Na verdade, o TrateCov foi planejado para funcionar de modo a identificar associação de quaisquer dois sintomas como "Provável diagnóstico de covid-19". A seguir, o dispositivo prescreve automaticamente o chamado tratamento precoce, que comprovadamente não tem eficácia para a doença.

Ao ser criticado porque o aplicativo sugeria tratamento ineficaz para quase todos os sintomas relatados pelos usuários, Pazuello tentou justificar a distorção dizendo que houve "roubo dessa plataforma" e contou aos senadores que chegou a registrar o caso na polícia.

"Foi hackeado por um cidadão. Tem uma investigação que chega nesse cidadão, ele foi descoberto, pegou o diagnóstico, alterou dados e colocou na rede pública", afirmou Pazuello na CPI.

A análise dos especialistas do TCU, no entanto, informa que não houve adulteração e que "a indicação pelo usuário do TrateCov de quaisquer dois sintomas é suficiente para a aplicação web exibir o diagnóstico" de covid-19.

Os auditores relatam que a informação de que alguém sente, por exemplo, "dor de cabeça" e "náuseas", ou "lombalgia" e "dor em coluna toráxica", ou ainda "dor de garganta" e "dor em membros inferiores", era suficiente para ocorrer a sugestão de prescrição de medicamentos do "denominado tratamento precoce".

Nesses casos, o TrateCov apresentava sempre sete medicamentos - Disfosfato de Cloroquina, Hidroxicloroquina, Ivermectina, Azitromicina, Doxiciclina, Sulfato de Zinco e Dexametasona - e a posologia (dose e frequência de uso) sugerida é sempre a mesma para quatro das medicações - Disfosfato de Cloroquina, Hidroxicloroquina,
Azitromicina e Doxiciclina.

"Enquanto a saúde de Manaus estava colapsando, com muitos pacientes precisando de oxigênio, por causa da segunda onda da covid-19, a senhora Mayra Pinheiro (secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde) e o senhor Pazuello lançavam o TrateCov e transformaram o povo da capital do Amazaonas em objeto de experimento", acusa o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid. "Isso é crime de lesa-humanidade, que deve ser levado a julgamento no Tribunal de Haia".

A análise do aplicativo foi solicitada ao TCU pelos integrantes da CPI da Covid.