PUBLICIDADE
Topo

Chico Alves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Líderes caminhoneiros alertam para falta de diesel por corte da Petrobras

Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

18/10/2021 04h00Atualizada em 18/10/2021 14h09

Representantes de várias entidades de caminhoneiros estão alertando seus associados para um possível desabastecimento de diesel por causa de cortes que a Petrobras estaria promovendo no fornecimento às distribuidoras. Um comunicado encaminhado no sábado (15) pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Autônomos (Abrava) informa aos motoristas que a diminuição da oferta nos postos fará os autônomos sofrerem bastante já que, diferente de empresas ou frotas, eles não possuem bombas para manter o próprio abastecimento.

Com o corte na entrega do combustível pela Petrobras, a Abrava aponta que provavelmente o diesel terá que ser importado, "o que gerará um acréscimo no valor do litro próximo a R$ 0,60 (sessenta centavos) graças à política de paridade internacional de preço dos combustíveis que a Petrobras segue", diz o texto.

Em reunião realizada no Rio de Janeiro, no sábado, vários representantes de motoristas autônomos decidiram que a categoria entrará em greve caso a pauta de reivindicações não seja atendida. O alto preço do diesel é um dos pontos mais importantes. Para o presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido como Chorão, o risco de desabastecimento também pesou no indicativo de greve. "Foi um motivo a mais", diz ele.

O secretário nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Carlos Alberto Litti Dahmer, avalia que a situação é resultado da política da Petrobras, não só de preços, mas com relação ao refino.

"Temos uma refinaria vendida, na Bahia, e as outras sete refinando apenas 40% da sua capacidade. Então é preciso buscar isso fora, enquanto poderíamos ser praticamente autossuficientes", acredita Dahmer. "É um crime o que vem sendo feito pelos governos nessa área".

Plinio Dias, presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), sugere uma solução simples para o problema. "O governo tem é que botar as refinarias a todo vapor que não vai faltar", acredita. "Por qual motivo antes de 2017 a gente era autossuficiente em combustível e agora não é mais? Acabou a Petrobras?"

O risco de desabastecimento foi levantado em primeiro lugar pela Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis, que na semana passada emitiu nota em que informava cortes unilaterais nos pedidos feitos para fornecimento de gasolina e diesel para o mês de novembro.

Em comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Petrobras negou que tenha feito esses cortes e afirmou que "as suas refinarias estão operando normalmente e segue atendendo integralmente os contratos com as distribuidoras, de acordo com os termos e prazos vigentes".

Os líderes caminhoneiros não acreditam, porém, nessa suposta normalidade.

"O que aconteceu foi que a notícia de corte unilateral da Petrobras era sigilosa, e após o seu vazamento a empresa veio a público desmentir a informação. A direção da Petrobras apenas tenta tapar o sol com a peneira, para que não haja reação em massa da categoria dos caminhoneiros autônomos", diz a nota da Abrava a seus associados.