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Chico Alves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Líderes nas pesquisas do Rio, Castro e Freixo têm inferno astral

O deputado federal Marcelo Freixo (à esquerda) e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (à direita) - Marina Ramos/Câmara dos Deputados e Wallaca Silva/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O deputado federal Marcelo Freixo (à esquerda) e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (à direita) Imagem: Marina Ramos/Câmara dos Deputados e Wallaca Silva/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

04/08/2022 07h27

A dois meses das eleições, os dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto para governador do Rio passam por momentos de turbulência na pré-campanha. Tanto Cláudio Castro (PL), que está à frente do Poder Executivo fluminense, quanto Marcelo Freixo (PSB) estão em pleno inferno astral por motivos bem diferentes.

No caso de Castro, que aparece numericamente à frente em todos os levantamentos, os problemas foram causados pela série de reportagens que o UOL tem publicado, com a assinatura dos jornalistas Ruben Berta e Igor Mello, sobre a farra de cargos secretos que seu governo vinha mantendo na Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio). Dessa forma, foram contratados 27 mil apadrinhados e aliados políticos do governador, sem que seus nomes sejam publicados em Diário Oficial e nem apareçam em documentos disponíveis para consulta.

A farra com dinheiro público atinge nível tão absurdo que a reportagem exclusiva publicada hoje revela que Fabrício Manhães Cabral, o funcionário que recebeu mais dinheiro entre todos da lista, não consegue dar explicação convincente sobre qual é exatamente sua função no Ceperj. Em sete meses, ganhou R$ 122,8 mil de salário não se sabe exatamente para que.

Para agravar a história, R$ 226 milhões que esses 27 mil fantasmas receberam de janeiro a julho foram sacados em espécie. Isso é um forte indício de que tudo tenha a ver com esquema de rachadinha. O Ministério Público também aponta uma tentativa de burlar os controles contra lavagem de dinheiro.

Ontem, a Justiça proibiu que o Ceperj faça pagamentos na boca do caixa e suspendeu as contratações de servidores temporários.

Além das dores de cabeça que terá para se explicar ao MP e ao Judiciário, Cláudio Castro sabe que o caso representa um prejuízo e tanto para sua campanha. Ressabiado por tantos escândalos de corrupção envolvendo governadores passados, o eleitor fluminense tem no episódio bons motivos para desconfiar do candidato do PL.

Essa história escabrosa poderia ser explorada pelo adversário Marcelo Freixo (PSB), que aparece em segundo nas pesquisas, tecnicamente empatado. No momento, porém, Freixo está muito ocupado com a crise em sua campanha. A aliança de seu partido com o PT corre sério risco de virar pó.

Tudo por causa da insistência do deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) em manter candidatura ao Senado, contrariando um acordo — que tanto o PT quanto a direção nacional do PSB dizem que foi firmado — para que os dois partidos apoiassem como candidato a senador o petista André Ceciliano.

Molon até agora não deu sinal de que vai deixar de lado a ideia de se eleger senador e o impasse tem que ser resolvido até amanhã. Caso contrário, a aliança pode ser desfeita e Freixo perderia o apoio do PT.

A última pesquisa Ipec de intenções de voto no Rio mostrou que 40% dos eleitores do estado não têm candidato a governador (29% dizem que vão votar branco ou nulo, 10% não sabem em quem votar). Isso acontece muito por conta das gigantescas maracutaias daqueles que passaram pelo Palácio Guanabara nos últimos mandatos.

Com as pré-campanhas dos dois líderes das pesquisas em crise, haverá ainda mais motivos para dúvidas.

Como se vê, a vida do eleitor do Rio não é nada fácil.