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Diogo Schelp

Covas associa Boulos a erros do PT e Boulos mira em vice de Covas

Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (Psol) -
Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (Psol)
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

20/11/2020 00h52

Em debate realizado na Band na noite desta quinta-feira (19), Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (Psol), candidatos à prefeitura de São Paulo, delinearam com clareza suas diferenças e o discurso que irão adotar até o dia do segundo turno das eleições.

Covas procurou expor a falta de conhecimento de Boulos em gestão pública e o seu baixo apreço à responsabilidade fiscal — associando-o, inclusive, aos erros do PT na prefeitura e no governo federal nesses quesitos. Boulos, por sua vez, afirmou que a prefeitura tem dinheiro de sobra mas não o utiliza corretamente, explorou as denúncias contra o vice de Covas, o vereador Ricardo Nunes (MDB), e contestou duramente a maneira como o prefeito tucano lidou com a pandemia do novo coronavírus.

Covas tentou demonstrar o anacronismo da visão que Boulos tem da economia em diversos momentos do debate. O mais eficiente deles foi quando questionou o psolista sobre as creches geridas por associações credenciadas. Boulos disse que não pretendia abolir o modelo, mas Covas desmentiu-o ao ler um trecho do programa de governo do adversário que defende exatamente isso, reverter terceirização, privatização e conveniamento da educação.

Foi a maneira que o prefeito encontrou para fazer Boulos revelar sua aversão às parcerias do estado com a iniciativa privada e seu apreço por um estado que dê conta, diretamente, de todos os serviços públicos. Foi a deixa para Covas lembrar dos tempos do PT, quando dezenas de estatais novas foram criadas.

Curiosamente, foi ao levantar a bola do assunto das creches que Covas abriu a guarda e permitiu a Boulos lhe desferir um gancho de esquerda: "Você bota a mão no fogo por seu vice?"

Ricardo Nunes, o vice de Covas, como detalhou Boulos, aparece em diversas reportagens como um político envolvido com negócios suspeitos com entidades e locatários de imóveis do setor de creches conveniadas.

Em sua resposta, Covas acrescentou um elemento novo à sua defesa de Nunes: o vereador teria sido o responsável, segundo ele, por recuperar para a prefeitura 1 bilhão de reais em dívidas de bancos. De resto, alegou o de sempre: que seu vice não responde a nenhum processo.

Covas conseguiu extrair de Boulos uma declaração polêmica: que a política de segurança pública do PSDB em São Paulo leva ao extermínio.

Boulos, por sua vez, colocou Covas nas cordas ao explorar o risco de uma nova onda de covid-19 na cidade e ao criticá-lo por não ter feito o suficiente para conter a pandemia. "É fácil ser engenheiro de obra pronta", devolveu Covas, repetindo uma frase que já se tornou seu bordão em debates.

Se formos resumir o debate em duas frases, cada uma dita por um dos candidatos, seriam estas: "O problema não é dinheiro, são as prioridades" (Boulos) e "não estou aqui para vender ilusões" (Covas).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL