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Diogo Schelp

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Brasil tem 6 meses para apresentar resultados na redução do desmatamento

Jair Bolsonaro discursa na Cúpula do Clima - Reprodução/YouTube
Jair Bolsonaro discursa na Cúpula do Clima Imagem: Reprodução/YouTube
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

22/04/2021 13h14

Em seu discurso na Cúpula de Líderes sobre o Clima, iniciada nesta quinta-feira (22), o presidente Jair Bolsonaro enalteceu o passado das conquistas brasileiras na área ambiental e projetou para um futuro distante aquilo que ele se propõe a realizar. Mas nada falou do (péssimo) desempenho do seu governo até agora e daquilo que pretende cumprir no curto prazo para reduzir o desmatamento da Amazônia.

Sua fala foi diplomática, com as digitais do novo chanceler Carlos França, sem os toques ideológicos, a agressividade e a retórica vitimista de discursos anteriores para a comunidade internacional, como na Assembleia Geral da ONU em 2019 e em 2020.

Do ponto de vista prático, Bolsonaro afirmou que o Brasil vai reduzir as emissões de carbono em 37% até 2025 e em 40% até 2030. E que determinou que o país deverá antecipar em dez anos a neutralização das emissões de carbono — a data agora é 2050. Ou seja, até a metade do século o Brasil terá de ser capaz de compensar toda a quantidade de CO2 emitida com medidas de captura desse gás, como o plantio de árvores.

Mas as lideranças mundiais, e em especial o presidente americano Joe Biden, não vão comprar as promessas de longo prazo de Bolsonaro tão facilmente.

Afinal, há uma grande distância entre o discurso adotado por Bolsonaro na cúpula e a realidade da política ambiental de seu governo, que tem enfraquecido as instituições de fiscalização das atividades que levam ao desmatamento ilegal.

O Brasil será cobrado por resultados imediatos no combate à destruição florestal — antes da ajuda financeira "imediata" que Bolsonaro pediu em seu discurso.

E uma data para essa cobrança já pode ser estabelecida: 1º de novembro deste ano, quando se inicia a COP 26, a reunião climática da ONU, em Glasgow, na Escócia (Reino Unido). Trata-se do mais importante encontro climático desde o Acordo de Paris, em 2015, quando os países assumiram compromissos que deveriam ser adotados até o ano passado.

Na COP 26, o período de queimadas na Amazônia já terá passado e será possível comparar os dados deste ano com os de anos anteriores. Bolsonaro poderá, então, ser cobrado por resultados imediatos que indiquem que ele estava falando sério quando estabeleceu metas de redução de desmatamento e de emissão de carbono.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL