PUBLICIDADE
Topo

Diogo Schelp

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Chineses procuraram diplomacia brasileira para testar vacina, sem sucesso

Vacina contra covid-19 - Getty Images
Vacina contra covid-19 Imagem: Getty Images
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

15/04/2021 13h00

A embaixada brasileira em Pequim foi procurada em dezembro do ano passado por um grupo de empresários para apresentar o interesse de um laboratório chinês em realizar testes de fase 3 de uma vacina contra covid-19 no Brasil, mas o contato não teve o efeito esperado e não resultou em parceria com instituição brasileira que pudesse fazer os ensaios clínicos.

Em telegrama enviado a Brasília em 22 de dezembro, obtido pela coluna por meio da Lei de Acesso à Informação, João Batista do Nascimento Magalhães, encarregado de negócios na embaixada do Brasil na China, informou que o laboratório chinês Livzon Pharmaceutical Group solicitava apoio da diplomacia brasileira para "identificar eventual instituição brasileira interessada em desenvolver testes clínicos (fase 3) para a vacina contra a covid-19".

O contato se deu por intermédio do China Entrepeneur Club, que segundo o diplomata "reúne algumas das maiores empresas chinesas". Na correspondência diplomática, Magalhães pediu ao Itamaraty autorização para dar prosseguimento à solicitação de ajuda do laboratório chinês para encontrar possíveis instituições parceiras no Brasil.

A assessoria de imprensa do Itamaraty informou à coluna que "não houve, até o momento, manifestação de interesse de instituições brasileiras na cooperação sugerida pela Livzon Pharmaceutical Group" e que a lista das entidades que teriam sido contatadas está sob sigilo.

No último dia 23 de março, as autoridades sanitárias da China autorizaram a Livzon a realizar no país ensaios clínicos com sua vacina, elevando para dez o número de imunizantes desenvolvidos pelos chineses que já estão sendo aplicados ou testados em humanos.

A V-01, como foi batizada, é uma vacina de proteína recombinante, técnica equivalente à utilizada também no imunizante da Fiocruz que está sendo aplicado no Brasil e que foi desenvolvido pelo laboratório AstraZeneca e pela Universidade de Oxford.

No início deste mês, o Paquistão anunciou que irá produzir a V-01 e que serão realizados testes de fase 3 com 20.000 voluntários no país com o novo imunizante. Desenvolvido pela Livzon em parceria com o Instituto de Biofísica da Academia Chinesa de Ciências, a V-01 pode ser transportada e armazenada em refrigeradores comuns, entre 3 e 8 graus centígrados.

A coluna procurou a farmacêutica chinesa por email, mas não obteve resposta. A embaixada da China em Brasília afirma não possuir informações sobre o interesse da Livzon em testar sua vacina no Brasil.