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Jamil Chade


"Amo desesperadamente meu presidente", diz Damares

Na ONU em 2019, a ministra Damares Alves lançou candidatura para órgão criticado por Bolsonaro - Jamil Chade/UOL
Na ONU em 2019, a ministra Damares Alves lançou candidatura para órgão criticado por Bolsonaro Imagem: Jamil Chade/UOL
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

26/02/2020 09h24

A ministra Damares Alves, responsável pela pasta de Direitos Humanos, se negou a comentar a atitude do presidente Jair Bolsonaro, que acenou um apoio às manifestações contrárias ao Congresso e em defesa de militares e do governo.

O ato marcado para 15 de março ganhou o apoio de Bolsonaro, que enviou um video a seus aliados e amigos que convocava o povo às ruas para defende-lo.

O gesto ocorreu depois que o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, criticou o Congresso, há uma semana.

Numa primeira tentativa por parte da reportagem de questionar a ministra Damares Alves sobre o assunto, ela evitou o tema. "Conversamos depois", disse a ministra, que está participando de eventos na ONU, em Genebra. Numa segunda tentativa, ela respondeu: "não vou me manifestar".

Diante da terceira tentativa da coluna em saber sua opinião sobre o assunto, ela apenas respondeu: "registre aí: amo desesperadamente meu presidente".

Em seu discurso na ONU, Damares não citou uma só vez a palavra democracia em seu mais de sete minutos sobre direitos básicos no palco do Conselho de Direitos Humanos.

Seus assessores, ao serem alertados que a coluna gostaria de um comentário da ministra sobre o gesto do presidente, questionaram qual era a relação entre o ato e direitos humanos.

Parte fundamental dos pactos de direitos humanos na ONU se refere aos direitos políticos e civis, além de liberdades e determinações sobre cada um dos poderes do estado.

Jamil Chade