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Jamil Chade


Em acordo preliminar, Brasil fica de fora de abertura da UE

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

29/06/2020 12h20

A Europa chega a um acordo preliminar para publicar sua primeira lista de cidadãos de países que poderão voltar a entrar nos 27 países do bloco a partir do dia 1 de julho. Mas Brasil, Rússia e EUA ficarão de fora.

Bruxelas prometeu rever os países selecionados a cada 15 dias, sempre com base nos números de casos em cada país nos últimos 14 dias. Mas, diante dos critérios estabelecidos, uma reabertura aos brasileiros pode não ocorrer no curto prazo e dependerá de como as autoridades no país controlarão o surto.

A lista foi finalizada nesta segunda-feira entre embaixadores dos 27 países do bloco e governos terão até amanhã (terça-feira) para ainda se pronunciar se estão de acordo. Mas o voto favorável da maioria dos governos já foi dado, o que garante sua aceitação.

A primeira lista conta com 14 países e foi alvo de uma intensa negociação nos bastidores. Governos de países que dependem do turismo temem que, ao afastar estrangeiros justamente no momento de pico da estação de férias no Velho Continente, o impacto econômico da pandemia poderá ser ainda maior.

Juntos, os países excluídos enviam a cada ano mais de 200 milhões de visitantes para a Europa.

Mas prevaleceu a preocupação com a saúde. Na primeira lista estão países que apresentam taxas de contaminação equivalentes ao que existe na Europa. Entre os sul-americanos, o único que entrou nesse primeiro corte foi o Uruguai.

Também fazem parte da lista países como Canadá, Coreia do Sul, Japão, Marrocos ou Austrália.

A China seria o 15o país a ser incluído. Mas com a condição de que o gesto seja recíproco e que os europeus possam também voltar a viajar para os aeroportos chineses.

Dentro da UE, o objetivo era o de evitar que a lista fosse politizada. Mas esse objetivo fracassou. Governos como o de Cuba e Venezuela estavam na primeira lista formulada, já que estariam dentro dos critérios epidemiológicos. Mas acabaram sendo vetados. O Paraguai também foi inicialmente considerado.

Longo caminho

Se o Brasil ficou de fora da primeira lista, os critérios estabelecidos pelo bloco para reabrir o continente para outros países revela que a adesão do Brasil pode levar meses. Em entrevista à coluna, delegados do governo francês confirmaram que a inclusão de novos países ocorrerá diante de uma consideração "situação por situação".

Com o maior número diário de casos e maior número de pessoas infectadas nos últimos 14 dias, o Brasil é avaliado dentro da OMS como uma das "ameaças globais".

Jamil Chade